Por: Moara Semeghini - Campinas

Problemas em sistemas de ar-condicionado atingem Hospital Mário Gatti, Ouro Verde e UPA Carlos Lourenço, em Campinas

Problemas na climatização atingem hospitais da Rede Mário Gatti, em Campinas | Foto: Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas

Falhas nos sistemas de ar-condicionado atingiram áreas de atendimento do Hospital Municipal Mário Gatti, do Hospital Ouro Verde e da UPA Carlos Lourenço, em Campinas, durante o período de forte onda de calor na cidade. Em algumas unidades, os aparelhos deixaram de funcionar adequadamente, afetando inclusive setores sensíveis como UTI e salas de emergência. Segundo relatos divulgados nas redes sociais pelas vereadoras Mariana Conti (PSOL) e Guida Calixto (PT), pacientes e profissionais enfrentaram temperaturas elevadas e risco de comprometimento do atendimento.

Além das denúncias feitas pelas parlamentares, reportagens do G1 Campinas e da EPTV também registraram problemas de climatização nas unidades da Rede Mário Gatti. No Hospital Ouro Verde, a falta de refrigeração adequada levou ao cancelamento de oito cirurgias eletivas entre os dias 29 e 30 de dezembro. Em outra situação, familiares de internados no Hospital Mário Gatti relataram calor intenso na UTI, com preocupação sobre os impactos para pacientes em estado grave. Também houve registros de usuários levando ventiladores de casa para suportar as altas temperaturas enquanto aguardavam atendimento no Ouro Verde, inclusive uma paciente que teve o procedimento adiado por falhas no ar-condicionado do centro cirúrgico.

Em postagem, Mariana Conti criticou a gestão municipal: “Quando a crise climática encontra o descaso e incompetência da gestão Dário Saadi: A UTI do Hospital Mário Gatti está sem ar condicionado (!!), com o atendimento comprometido devido ao calor extremo. Cirurgias foram canceladas recentemente no hospital Ouro Verde pelo mesmo motivo. O prefeito, médico de formação, deveria saber melhor do que ninguém a gravidade de deixar os pacientes sofrendo e sem atendimento nos hospitais municipais.”

Já a vereadora Guida Calixto destacou a gravidade dos impactos do calor: “É fundamental uma ação emergencial da prefeitura de Campinas. As altas temperaturas, fruto da crise climática, têm atingido muitas áreas das nossas vidas, desta vez, um dano no sistema de ar condicionado num equipamento de saúde tão necessário é uma grave situação de descaso com a população e os trabalhadores da UPA Carlos Lourenço!”

O que diz a Prefeitura

A Rede Mário Gatti negou que a UTI do Hospital Mário Gatti tenha ficado sem ar-condicionado, mas admitiu que parte dos aparelhos não estava refrigerando adequadamente durante os dias de calor extremo. Segundo a administração, a manutenção realizada no dia 1º de janeiro normalizou o funcionamento, e um novo sistema de climatização está em fase de licitação, com instalação prevista para o primeiro semestre de 2026.

No Hospital Ouro Verde, a prefeitura confirmou o cancelamento de oito cirurgias eletivas entre 29 e 30 de dezembro devido à oscilação na climatização de salas cirúrgicas. Quatro já foram remarcadas e os procedimentos de urgência seguem normalmente. A unidade aguarda a chegada de peças específicas do fabricante.

Já na UPA Carlos Lourenço, a administração municipal informou que houve falha no ar-condicionado de parte da Sala Vermelha no dia 30 de dezembro, mas que o problema foi resolvido e nenhum atendimento deixou de ser prestado.

Por melhorias

A Câmara Municipal de Campinas aprovou a criação de uma frente parlamentar para acompanhar e propor melhorias na Rede Mário Gatti, responsável pelos hospitais e unidades de pronto atendimento do município. A iniciativa, proposta pelo vereador Dr. Yanko (PP), vai atuar no Hospital Mário Gatti, Hospital Ouro Verde, Unidade Pediátrica Mário Gattinho e nas UPAs Anchieta Metropolitana, Carlos Lourenço, Campo Grande e São José. Segundo o Legislativo, a medida foi motivada por reclamações sobre demora na triagem, consultas e exames, além do aumento na demanda por atendimentos, como o Correio da Manhã noticiou em 1º de dezembro.

De acordo com o Portal da Transparência, houve aumento expressivo na fila de espera por cirurgias eletivas (operações agendadas) nos hospitais públicos municipais ao longo de 2025. Entre janeiro e outubro deste ano, o conjunto dos hospitais Mário Gatti (incluindo o Mário Gattinho) e Ouro Verde inseriu 3.569 novos pacientes na lista de espera. O número representa um crescimento de 3,2 vezes em comparação com o mesmo período de 2024, quando 1.083 pacientes foram registrados.

Sobre a Rede Mário Gatti 

A Rede Mário Gatti é o sistema público de saúde de Campinas (SP) focado em Urgência, Emergência e Hospitalar, que engloba o Hospital Municipal Mário Gatti, o Hospital Pediátrico Mário Gattinho, o Hospital Ouro Verde, UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e o SAMU, com o objetivo de oferecer atendimento integral, humanizado e de qualidade pelo SUS, além de ser centro de ensino e pesquisa para qualificar profissionais de saúde.

As unidades que compõe a rede são: Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, Hospital Ouro Verde (Complexo Hospitalar Prefeito Edivaldo Orsi), Hospital Pediátrico Mário Gattinho; UPAs: Anchieta, Carlos Lourenço, São José e Campo Grande (Sérgio Arouca); SAMU: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.