Por: Raquel Valli

Campinas (SP) soma R$ 215 milhões no Plano Safra; participação na agricultura familiar supera a empresarial

O campinense Guilherme Campos, Secretário Nacional de Política Agrícola | Foto: MAPA

As contratações do Plano Safra 2025/2026 em Campinas (SP) ficaram abaixo da média nacional, assim como ocorreu com o Estado de São Paulo. A cidade dispõe de uma cadeia do agronegócio ligada à pesquisa e tecnologia, mas somou R$ 215 milhões, o equivale a 0,035% do total de R$ 605,2 bilhões disponibilizados pelo governo federal. Na comparação com o orçamento da agricultura empresarial, de R$ 516,2 bilhões, a participação do município é de 0,041%. Em relação aos R$ 78,2 bilhões destinados à agricultura familiar, o índice é de 0,27%.

Difusão de conhecimento

"O Plano Safra bateu o terceiro recorde consecutivo, mas há um desconhecimento (em São Paulo) do que o governo federal está fazendo", afirma o campinense Guilherme Campos, Secretário Nacional de Política Agrícola, que trabalha arduamente para que o fomento chegue ao maior número possível de produtores. "Temos a menor taxa de juros do mercado, tanto para financiamento quanto para custeio”, complementa o especialista (leia mais abaixo). 

As contratações em Campinas ocorrem por meio de instituições como o Banco do Brasil e Itaú Unibanco. O período de maior volume de operações foi registrado entre julho e setembro de 2025, conforme o cronograma oficial de liberação dos recursos. Os dados indicam que o crédito é direcionado para a manutenção de culturas e infraestrutura produtiva.

Recorde

O financiamento da agricultura empresarial contou com R$ 516,2 bilhões, o que representa um acréscimo de R$ 8 bilhões em comparação ao ciclo anterior. Na divisão por beneficiários, o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) recebeu R$ 69,1 bilhões, enquanto R$ 447 bilhões atenderam aos demais produtores e cooperativas.

“Foi um exercício muito desafiador, conciliar o montante do recurso para colocar à disposição no financiamento versus um alto custo em função da Taxa Selic a 15%”, pontua Campos. 

Perspectiva

Para o ano que vem, a projeção do Banco Central aponta para um decréscimo da Selic. “Esperamos que seja um ano menos difícil do que este, com uma taxa de juros menor, consequentemente com uma subvenção menor, e um valor menor no financiamento para o tomador de crédito”, afirma o secretário. 

Crédito

As taxas de juros do Plano Safra variam de acordo com a linha de crédito. O Custeio Empresarial, por exemplo, possui taxa de 14% ao ano. Já o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) 13,5%.

O mesmo índice é aplicado ao Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop) e ao Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias (Procap-Agro).

O Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro) e o Programa de Financiamento à Agricultura Irrigada (Proirriga) operam com 12,5%. 

O Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro) e o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) têm taxas de 10%.

E o índice de 8,5% é aplicado ao PCA para unidades de até 12 mil toneladas e ao RenovAgro nas modalidades Ambiental e Recuperação/Conversão de Pastagens.