Por: Redação

Unicamp, Fapesp e Ericsson criam centro de pesquisa para rede 6G

O 6G poderá impulsionar a implementação de robótica e automação avançadas nas indústrias, resultando em processos de fabricação mais inteligentes, maior eficiência e custos reduzidos. A comunicação em tempo real permitirá que os robôs trabalhem em colaboração com os trabalhadores humanos, aumentando a produtividade e a segurança | Foto: Alex Knight/Unsplash

 

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a empresa Ericsson inauguraram o Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) Smart Networks and Services for 2030 (Smartness 2030), no início deste mês, na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC). Fundado em março de 2023, o Centro realiza pesquisas e inovação em redes móveis 5G e 6G e em serviços inteligentes que moldarão o futuro das telecomunicações até 2030.

O espaço, chamado de Smartness Studio 5G (SS5G), conta com a rede privativa Ericsson Private 5G (EP5G) – fruto de uma parceria entre a Unicamp, a Ericsson e a NEC. Conforme a vice-diretora do CPE, pesquisadora e coordenadora das colaborações acadêmicas da Ericsson no Brasil, Maria Valéria Marquezini, essa rede permitirá a realização de testes empíricos de soluções, o que não era possível antes, e a expansão do escopo dos estudos desenvolvidos.

Os resultados visam “aplicações industriais, que demandam uma latência [tempo de resposta] controlada da rede”, bem como a melhoria da experiência do usuário final, “como em jogos, realidade virtual e realidade aumentada”, explica Marquezini.

“Temos acesso a equipamentos de ponta e a tecnologia de produto instalada em empresas, indústrias, aeroportos e grandes fábricas. Com isso, podemos desenvolver pesquisas realistas, com resultados aplicáveis e transferíveis para a indústria”, ressaltou Christian Rothenberg, diretor do Smartness e docente da Unicamp.

Segundo Rothenberg, o objetivo do Centro de Pesquisa é explorar os limites da tecnologia 5G e caminhar para o 6G. Desse modo, espera-se que, diferente de gerações anteriores das redes (1G a 4G), o Brasil esteja na vanguarda do desenvolvimento de conhecimento, patentes, propriedade intelectual e aplicações.

Além do salto de eficiência esperado do 5G para o 6G, outros desafios para o avanço tecnológico são, por exemplo, o suporte nativo à incorporação de algoritmos de inteligência artificial à arquitetura de rede, além da interconexão da rede celular com redes de satélites e outras. “A rede 6G está começando agora as fases de estudo e padronização. Temos uns três a quatro anos para tentar contribuir”, disse o docente.

Com um investimento total de R$ 56 milhões e com duração de dez anos, o Centro tem a participação de pesquisadores da Unicamp, da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e de mais de 15 instituições parceiras no Brasil, além de colaborações internacionais. A proposta dos CPEs é fortalecer a interação entre a ciência e a indústria.

Captação de talentos

O Centro de Pesquisa também busca atuar na formação de talentos desde a graduação. Para isso, Rothenberg anunciou a criação de um programa de intercâmbio para alunos de engenharia denominado “Smartness Research Engineer Trainee Program”, em que os alunos passam um período dentro da empresa no Brasil e outro período no exterior.

“Queremos que, depois, esses alunos continuem na jornada acadêmica, mas com objetivos de pesquisa de interesse da empresa”, explicou Rothenberg.

O programa, em fase piloto, já conta com estudantes captados por uma campanha de atração. No evento de inauguração, eles participaram das demonstrações interativas e imersivas de pesquisas conduzidas no Centro. Entre as atividades, houve demonstrações com o uso de óculos de realidade virtual e realidade aumentada, apresentação de trabalhos acadêmicos e possibilidade de interação com um robô humanoide.
Os alunos de iniciação científica Luccas Janune, do curso de Engenharia Elétrica, e Beatriz Pereira, de Engenharia da Computação, guiavam os visitantes por uma atividade interativa para exemplificar as diferenças das tecnologias 3G, 4G e 5G – em que o usuário deveria “operar cirurgicamente” um boneco olhando apenas para a câmera, como em uma telecirurgia.

“Simulamos os parâmetros de rede 5G, 4G e 3G enquanto a pessoa vai jogando e sentindo a diferença de latência [que influencia o atraso entre a imagem e a ação do usuário] e vazão [influencia a resolução da imagem] entre elas”, explicou Janune.

Pereira contou que se interessou em participar do projeto pela oportunidade de desenvolver atividades mais práticas, fora do escopo conceitual.

Encontro de alunos e docentes

A cerimônia de inauguração do laboratório integrou a programação do 17º Encontro de Alunos e Docentes do Departamento de Engenharia de Computação e Automação (DCA).

Compuseram a mesa, além de Rothenberg e Marquezine, o diretor da Feec e coordenador de parcerias do Smartness, Hugo Figueroa; o vice-presidente de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Ericsson no Brasil, Edvaldo Santos; o diretor-executivo associado da Inova (Agência de Inovação da Unicamp), Rangel Arthur; o assessor docente da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) Caio Costa Oliveira; e o coordenador geral de Tecnologias, Inovação e Parcerias da Fapesp, Rodolfo Azevedo.

O SS5G está instalado no Lemac (Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado e Computacional), que foi fundado em 2000 e, ao longo dos anos, foi ampliando seu escopo de pesquisas. “A chegada do SMARTNESS Studio 5G representa a convergência entre a tradição do Lemac em sistemas avançados e o modelo do Smartness na área de redes e transformação digital. Um encontro que, certamente, ampliará as possibilidades de pesquisa, formação e inovação dentro da Feec e da Unicamp”, disse Figueroa. As informações são do Jornal da Unicamp: jornal.unicamp.br