Por: Redação

Quatro adoções em menos de um ano: Thaís encontra novo propósito no amor que resgata e transforma

Família que se escolhe pelo afeto: Thaís divide o sofá com Jade, Theo, Nina e Dick | Foto: Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas

Quando perdeu seus antigos cães, com quem conviveu por anos, Thaís Aparecida Nogueira Machado sentiu a casa esvaziar. O silêncio pesava. A rotina antes animada se transformou em ausência e foi preciso tempo até que o coração se abrisse novamente. Um ano e meio depois, sentindo que era hora de recomeçar, ela decidiu adotar de novo. E, sem imaginar, esse recomeço viraria uma história de afeto multiplicado.

Hoje, a enfermeira do Centro de Especialidades Médicas de Campinas divide o lar com quatro animais adotados, todos resgatados pelo Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal (DPBEA). A casa mudou, a rotina mudou, e ela também mudou. “Amor engole dor”, diz Thaís, que cresceu em uma família que nunca comprou animais: só resgatou, acolheu, cuidou. Para ela, adoção é parte de quem é.

Jade, Théo, Nina e Dick: uma família construída pelo afeto

O retorno à adoção começou em novembro de 2024, quando Jade, uma gatinha cega dos dois olhos por condição genética, chegou iluminando cada canto do apartamento. “Ela enxerga com o coração”, resume Thaís.

Depois, em março de 2025, veio o shih-tzu Théo. Mansinho, simpático, mas com jeito de quem sentia falta de companhia. Para que ele não ficasse sozinho, ela adotou a pincher Nina, amorosa, delicada e dona de um detalhe marcante: ciúmes declarados do irmão.

E então chegou Dick, em julho do mesmo ano. Sem movimento nas patas traseiras, ele usa um carrinho adaptado para passear. Corre, brinca, mastiga chinelos, destrói o que vê pela frente, e virou celebridade no bairro. Thaís ri e se orgulha: “Ele arrasta felicidade onde passa”.

Ritmo e barulho de família grande

Quatro adoções em menos de um ano redesenharam o cotidiano. O despertador deixou de ser eletrônico e virou chamado carinhoso. As manhãs começam às 5h, para que Théo e Nina passeiem antes do trabalho. Dick usa fraldas e passeia à tarde e à noite. Tapetes higiênicos são parte da decoração; pela casa, espalham-se duas tigelas de ração e três de água, nos cômodos que pertencem tanto a eles quanto a ela.

E existe o custo. Cerca de 20% do salário vai para ração, higiene, limpeza, consultas, convênio básico e pequenos cuidados do dia a dia. “Dá trabalho. É preciso criar com responsabilidade”, ressalta.

Mesmo assim, para Thaís, o retorno é incalculável. “Chegar em casa e não ter nada, nem um bichinho fazendo festa… não tem sentido.”

DPBEA: adoção com orientação, cuidado e acompanhamento

Todos os animais de Thaís foram adotados pelo Portal Animal, ferramenta do DPBEA que apresenta cães e gatos disponíveis para adoção. Para auxiliar na escolha, ela enviou fotos do apartamento e recebeu orientação sobre perfis de pets que se adaptariam ao espaço.

“O atendimento é muito sério. Eles ligaram depois para saber como estava a adaptação e sempre passam o endereço dos Consultórios Móveis. Os animais já vêm vacinados, castrados, vermifugados. É um trabalho maravilhoso”, destaca.

Conselhos de quem vive a experiência


Thaís resume a adoção em uma palavra: Amor. E deixa três lições:

Adote com consciência: animais demandam cuidado real.

Planeje financeiramente: eles dependem de você.

Tenha rede de apoio: ninguém cuida sozinho todos os dias.

“Tem muitos animais precisando do nosso amor, e nós do amor deles”, diz.

Adote

Mais de 300 animais abrigados no DPBEA esperam por um lar. Você pode ser o próximo capítulo dessa mudança.

O DPBEA também promove Feiras de Adoção para dar visibilidade ao abandono. O secretário do Clima, Braz Adegas Júnior, reforça: “Infelizmente, temos mais entrada que saída de animais.”

Com o lema “Se puder, adote. Se não puder, compartilhe, divulgue, incentive. Amor não se compra, se acolhe”, o DPBEA convida a população a conhecer os cães e gatos disponíveis para adoção por meio do Portal Animal https://portalanimal.campinas.sp.gov.br/adocao.

 

“Cada adoção salva duas vidas: a do animal e a do tutor. E Thaís é prova viva disso”, complementa o secretário Braz Adegas Júnior.