Os transtornos provocados por bailes funks e pancadões clandestinos aumentaram 9,2% em um ano na cidade de São Paulo e passaram a pressionar os canais de atendimento da Polícia Militar. Levantamento da corporação aponta que, entre janeiro e dezembro de 2025, foram contabilizados 104.555 chamados relacionados a esse tipo de evento, contra 95.718 no ano anterior, média de 286 registros por dia.
A PM ressalta que os dados incluem registros duplicados, uma vez que moradores de um mesmo endereço podem acionar o serviço diversas vezes para a mesma ocorrência. Ainda assim, o crescimento acompanha a elevação geral das reclamações por perturbação do sossego, que subiram 3,6%, passando de 534.543 chamadas em 2024 para 553.797 no ano passado. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 190 ou pelo aplicativo 190 SP.
As maiores concentrações de queixas estão em bairros periféricos das zonas norte, sul e leste da capital. O som de equipamentos instalados principalmente em veículos se espalha por várias quadras, afetando moradores a longas distâncias do ponto onde ocorrem as festas.
Diante do volume de chamados, a Polícia Militar intensificou operações de prevenção e repressão, que demandam grande mobilização de efetivo e impactam o atendimento de outras ocorrências emergenciais. Segundo a corporação, a ocupação prévia de vias nem sempre é eficaz, já que os organizadores costumam deslocar o público para áreas próximas.
Moradores relatam prejuízos recorrentes ao descanso, além de problemas associados ao trânsito de motos, uso de drogas e conflitos. Também apontam dificuldades no acionamento do poder público, com relatos de encaminhamentos entre Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana sem solução imediata.
Representantes comunitários associam a proliferação dos eventos à escassez de opções de lazer e equipamentos culturais nas periferias. A Prefeitura de São Paulo afirma manter atividades culturais na Brasilândia e diz que pedidos de apoio a eventos foram avaliados conforme a legislação orçamentária vigente.