As viagens de ônibus na cidade de São Paulo ficaram mais demoradas em 2025, segundo levantamento da SPTrans. O tempo médio de deslocamento atingiu 1 hora e 24 minutos, cerca de 11 minutos a mais em relação ao ano anterior, indicando piora na rotina de quem depende do transporte público na capital.
O estudo foi baseado em entrevistas com aproximadamente 8 mil usuários ao longo do ano. Os dados mostram que, nos horários de maior movimento, a velocidade média dos ônibus gira em torno de 15 km/h, podendo chegar a 20 km/h em trechos com corredores exclusivos. Ainda assim, o desempenho é considerado insuficiente diante da demanda diária.
A espera nos pontos também segue elevada. Nos períodos de pico, o tempo médio até a chegada de um coletivo é de quase 12 minutos. A combinação entre intervalos longos e veículos cheios contribui para o aumento no tempo total das viagens.
Cerca de 7 milhões de passageiros utilizam o sistema municipal todos os dias, distribuídos em mais de 148 mil partidas. Dentro dos ônibus, a lotação é frequente, com média próxima de dois passageiros em pé por metro quadrado, o que impacta diretamente o conforto e a fluidez do embarque.
Na prática, a experiência relatada pelos usuários reflete os números do levantamento. Trabalhadores que se deslocam entre bairros periféricos e regiões mais centrais enfrentam dificuldades diárias para conseguir embarcar, especialmente nos horários de maior movimento. Em alguns casos, a lotação impede o acesso pela porta dianteira, exigindo alternativas improvisadas para entrar no veículo.
Em corredores importantes da zona sul, como a Estrada do M’Boi Mirim, o acúmulo de passageiros nos pontos começa ainda nas primeiras horas da manhã. O fluxo intenso se concentra principalmente entre 7h e 8h, período em que a demanda supera a capacidade de atendimento em diversos trechos.
O impacto no cotidiano é significativo. Há relatos de pessoas que passam até cinco horas por dia em deslocamentos, somando ida e volta. Esse tempo reduz a disponibilidade para atividades pessoais e aumenta o desgaste físico e mental dos usuários.
Diante desse cenário, passageiros apontam a necessidade de melhorias estruturais, como ampliação da frota, aumento da velocidade operacional e maior eficiência na gestão das linhas. A expectativa é de que medidas desse tipo possam reduzir o tempo de viagem e melhorar as condições de transporte na cidade.