A distribuidora de energia Enel São Paulo apresentou queda significativa no ranking de qualidade das concessionárias de grande porte divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2025. A empresa passou a ocupar a 30ª colocação entre 33 companhias com mais de 400 mil clientes, recuando nove posições em relação ao levantamento anterior.
O ranking considera o Desempenho Global de Continuidade (DGC), indicador que mede a frequência e a duração das interrupções no fornecimento de energia elétrica. Quanto maior o índice, pior é o desempenho da concessionária. No caso da Enel SP, o DGC aumentou de 0,8 para 0,9, indicando piora na qualidade do serviço prestado ao longo do período analisado.
Apesar da queda da empresa, a Aneel aponta que, de forma geral, houve melhora no fornecimento de energia no país. Em média, os consumidores ficaram 9,3 horas sem eletricidade ao longo do ano, uma redução de 9,2% em comparação ao período anterior. O resultado marca um avanço no desempenho global das distribuidoras, com todas as empresas de grande porte registrando índices abaixo de 1,0 pela primeira vez desde o início da série histórica.
A Enel São Paulo é responsável pelo atendimento a mais de 8 milhões de unidades consumidoras distribuídas em 24 municípios da Região Metropolitana de São Paulo. Nos últimos anos, a concessionária tem sido alvo de críticas devido a episódios de interrupções prolongadas no fornecimento de energia. Um dos casos mais recentes ocorreu em dezembro, quando milhões de clientes foram afetados por um apagão de grande escala.
Diante desse cenário, a Aneel abriu um processo administrativo que pode resultar na rescisão antecipada do contrato de concessão da empresa. A medida foi tomada após avaliação do desempenho da distribuidora, considerado insatisfatório pela agência reguladora. A companhia terá prazo de 30 dias para apresentar defesa. Após essa etapa, a Aneel poderá recomendar o encerramento do contrato ao Ministério de Minas e Energia, responsável pela decisão final, que não possui prazo definido.
Em resposta, a Enel afirmou que seus indicadores operacionais são superiores à média nacional e argumentou que o ranking leva em conta limites regulatórios distintos para cada área de concessão. Segundo a empresa, regiões como São Paulo possuem critérios mais rigorosos, o que impactaria a comparação com outras distribuidoras.
A concessionária também informou que figura entre as empresas com menor duração média de interrupções no país e reiterou compromisso com a melhoria contínua da qualidade do serviço. A empresa destacou ainda investimentos em infraestrutura e modernização da rede elétrica como parte das ações voltadas à redução de falhas no fornecimento.
No ranking de 2025, as primeiras posições foram ocupadas por CPFL Santa Cruz, Neoenergia Cosern e Equatorial Pará, todas com índices inferiores a 0,60. Já as últimas colocações incluem, além da Enel São Paulo, empresas como Cemig, Equatorial Goiás e Equatorial CEEE, que apresentaram os piores desempenhos no período analisado.
De acordo com a Aneel, a divulgação anual do ranking tem como objetivo estimular a melhoria contínua dos serviços prestados pelas concessionárias de energia elétrica no país. A classificação funciona como um instrumento de transparência e permite que consumidores acompanhem o desempenho das empresas responsáveis pelo fornecimento de eletricidade em suas regiões.