A justiça determinou que o clube de futebol de várzea Cruz da Esperança desocupe, em até 60 dias, a área que ocupa no Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo. O espaço faz parte de um terreno concedido pela prefeitura à iniciativa privada para a implantação de um parque, projeto que depende da liberação total da área.
O município solicitou a reintegração de posse e a remoção das estruturas existentes, alegando necessidade de cumprir obrigações contratuais com a concessionária responsável pelo futuro empreendimento. A decisão também prevê multa diária em caso de descumprimento e autoriza o uso de força policial para garantir a desocupação.
O clube utiliza cerca de 15 mil metros quadrados para atividades esportivas e culturais. A área maior, com aproximadamente 385 mil metros quadrados, abriga historicamente práticas de futebol de várzea desde a década de 1970. Outros grupos que ocupavam o local já deixaram o espaço ou firmaram acordos para uso futuro.
Fundado em 1958, o Cruz da Esperança mantém atividades que vão além do esporte, incluindo eventos culturais que ajudam a sustentar financeiramente a agremiação. Representantes do clube apontam preocupação com o modelo proposto após a concessão, que prevê uso compartilhado do espaço.
O caso ainda envolve análise sobre possível reconhecimento cultural da área, enquanto o projeto do parque prevê investimento superior a R$ 200 milhões e exploração por até 35 anos.