Uma unidade de saúde localizada no bairro do Pari, na região central de São Paulo, atende pacientes de 87 nacionalidades diferentes, evidenciando a diversidade migratória presente na capital paulista. Dados mais recentes indicam que cerca de 22,7% das pessoas cadastradas no serviço são imigrantes, o que reforça o papel dessas estruturas no atendimento a uma população cada vez mais plural.
Entre os grupos mais numerosos estão pessoas vindas da Bolívia, Paraguai, Bangladesh, Equador e Venezuela. A predominância latino-americana, especialmente de bolivianos e paraguaios, se mistura à presença crescente de asiáticos e africanos, criando um cenário que reflete os diferentes fluxos migratórios que chegam à cidade nas últimas décadas. Esse mosaico de origens transforma o cotidiano da unidade em um espaço onde múltiplas culturas convivem, trazendo hábitos, costumes e formas distintas de lidar com a saúde.
A rotina de atendimentos evidencia não apenas a diversidade de nacionalidades, mas também de histórias. Há pacientes que chegaram recentemente ao Brasil, muitas vezes em busca de melhores condições de vida, enquanto outros já estão estabelecidos há anos ou décadas e utilizam o serviço de forma contínua. Em comum, está a necessidade de acesso a cuidados básicos, acompanhamento médico e prevenção de doenças.
A variedade de idiomas falados pelos pacientes é um dos principais desafios enfrentados no atendimento. Espanhol, bengali, árabe, francês e diferentes línguas africanas estão entre os idiomas mais presentes. Para lidar com essa realidade, usuários e profissionais recorrem a diferentes estratégias, como aplicativos de tradução, ajuda de familiares ou conhecidos e o apoio de funcionários que dominam mais de uma língua. Em alguns casos, a comunicação ocorre de forma improvisada, combinando gestos, palavras-chave e tecnologia.
Além da barreira linguística, aspectos culturais também influenciam a relação com o sistema de saúde. Diferenças na forma de compreender sintomas, tratamentos e rotinas de cuidado podem exigir adaptações no atendimento e maior esforço de comunicação. Ainda assim, a convivência cotidiana contribui para a construção de um ambiente mais sensível a essas particularidades, com trocas que vão além da consulta médica.
Entre 2021 e dezembro de 2025, foram registrados mais de 119 mil atendimentos a imigrantes nessa unidade específica. O volume expressivo indica uma demanda constante e crescente. Outras unidades da região central e da zona leste da cidade também apresentam números relevantes, mostrando que o atendimento à população estrangeira não está concentrado em apenas um ponto, mas distribuído em diferentes bairros com forte presença de imigrantes.
Esse cenário acompanha uma tendência mais ampla observada no país. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam um crescimento significativo da população estrangeira residente no Brasil entre 2010 e 2022. Já a Organização Internacional para as Migrações indica que uma parcela expressiva dos imigrantes que vivem no país está concentrada na cidade de São Paulo, consolidando o município como um dos principais destinos migratórios.
A diversidade de nacionalidades presentes na unidade do Pari reflete, portanto, um movimento maior de transformação demográfica e cultural. A capital paulista se reafirma como um ponto de encontro de diferentes povos, onde convivem múltiplas identidades, idiomas e experiências de vida. No campo da saúde, essa realidade impõe desafios operacionais e de comunicação, mas também revela a importância de serviços capazes de atender uma população heterogênea.
Nesse contexto, o atendimento à população imigrante se insere em uma dinâmica urbana marcada pela mobilidade internacional e pela construção de redes de apoio em territórios específicos da cidade. Bairros como Pari, Brás e Bom Retiro seguem como referências históricas de acolhimento a diferentes comunidades, o que se reflete diretamente na demanda por serviços públicos locais.
A presença de pacientes de 87 nacionalidades em uma única unidade sintetiza essa diversidade. Mais do que números, o dado evidencia a complexidade de atender uma população com trajetórias distintas, reforçando o papel da rede de saúde como um dos principais pontos de contato entre o poder público e a população migrante na cidade.