Familiares de pessoas que morreram ou ficaram com sequelas após ingerirem bebidas adulteradas prestaram depoimento nesta terça-feira (3) à CPI do Metanol, instalada na Câmara Municipal de São Paulo. A comissão investiga a venda de bebidas contaminadas por álcool etílico e metanol na capital desde 2024.
Entre os relatos, esteve o de Helena dos Anjos Martins da Silva, mãe de um jovem de 28 anos que morreu após consumir gim com energético comprado em uma adega na zona sul. Ele permaneceu internado por cerca de 50 dias antes de falecer, em outubro de 2025. Também foi ouvido Leonardo Lima, de 24 anos, que perdeu a visão depois de ingerir bebida contaminada em uma festa, em setembro do ano passado. Ele ficou internado por mais de um mês e segue em recuperação. A mãe do rapaz afirmou que deixou o trabalho para auxiliá-lo nas atividades diárias.
Representantes do Sindibesp, sindicato que reúne trabalhadores do setor de distribuição de bebidas, compareceram à sessão. Eles afirmaram não reconhecer falhas na cadeia de distribuição e disseram que não há mecanismos para identificar previamente produtos adulterados. Parlamentares consideraram as respostas insuficientes e informaram que os dirigentes serão novamente convocados.
A comissão também aprovou pedido para que o proprietário de um bar na Mooca seja conduzido coercitivamente a depor. O estabelecimento chegou a ser interditado após mortes relacionadas à ingestão de bebidas contaminadas, mas retomou as atividades. A CPI ainda analisa requerimento para ouvir, de forma híbrida, uma investigada presa sob acusação de atuar em fábrica clandestina no ABC paulista.