A Prefeitura de São Paulo avalia encerrar a concessão do Vale do Anhangabaú após sucessivas críticas à gestão do espaço no centro da capital. A discussão ocorre em meio a reclamações sobre barulho provocado por eventos noturnos, bloqueios frequentes de acesso e problemas no funcionamento de estruturas instaladas na área.
Interlocutores que participaram de reuniões com o prefeito Ricardo Nunes relatam que houve um encontro recente considerado tenso entre representantes da administração municipal e a concessionária responsável pela gestão. Segundo esses relatos, as duas partes teriam admitido a possibilidade de distrato, que poderia ser formalizado nos próximos meses.
Desde 2021, o espaço é administrado pelo consórcio Viva o Vale, liderado pela WTorre, em contrato com duração prevista de dez anos. A empresa também é responsável pela gestão do Allianz Parque, na zona oeste da cidade. Procurado, o consórcio informou que não comentaria o tema. A prefeitura também não se manifestou até a conclusão desta edição.
Questões contratuais limitam declarações públicas enquanto eventuais termos de rescisão não são definidos. Desde o início da concessão, a esplanada de 43 mil metros quadrados passou a ter acessos fechados com frequência para shows e eventos privados com cobrança de ingressos. Em 2024, o município informou ter aplicado R$ 1,7 milhão em multas à concessionária. Neste ano, passou a vigorar restrição que proíbe apresentações musicais após as 23h.
Além do impacto sonoro e das interdições, há queixas sobre quiosques ainda desocupados e sobre o funcionamento irregular das fontes luminosas instaladas no piso, que deveriam operar diariamente como atração permanente.
A configuração atual contrasta com a proposta da reforma de R$ 105 milhões realizada na gestão de Bruno Covas, que previa transformar o local em parque urbano aberto e integrado ao entorno. Especialistas apontam que uma eventual reformulação do modelo de gestão poderia reforçar o papel do Anhangabaú como espaço público e indutor da requalificação do centro.