O investimento previsto para a construção do novo centro administrativo do Governo do Estado de São Paulo foi revisado e alcançou R$ 6,09 bilhões. O valor representa aumento de R$ 1,3 bilhão em relação à estimativa apresentada após a conclusão dos primeiros estudos técnicos do projeto, ainda em 2024. A principal alteração responsável pela elevação do custo foi a ampliação das áreas destinadas a estacionamento, além de revisões nos gastos com desapropriações e intervenções urbanas na região central da capital.
A proposta prevê a instalação do complexo no entorno do Parque Princesa Isabel, no bairro Campos Elíseos, na região central de São Paulo. O projeto será executado por meio de parceria público-privada. O leilão para definir o consórcio responsável pela construção e gestão dos edifícios está marcado para ocorrer na B3. Participam da disputa os consórcios Acciona-Construcap e MEZ-RZK Novo Centro.
A modelagem prevê que o Estado invista R$ 3,4 bilhões nos primeiros quatro anos da obra, enquanto o parceiro privado deverá aportar R$ 2,7 bilhões. A execução das torres administrativas tem duração estimada em cinco anos. Após a entrega, caberá ao consórcio vencedor realizar a gestão predial, incluindo serviços de segurança, limpeza, manutenção e operação das instalações, durante 30 anos.
Como contrapartida, o governo pagará uma remuneração mensal que pode chegar a cerca de R$ 76 milhões, corrigida pela inflação. O critério de julgamento do leilão será o maior desconto oferecido sobre essa contraprestação. Inicialmente, o pagamento mensal havia sido estimado em aproximadamente R$ 65 milhões, mas o reajuste no valor global do projeto impactou a projeção.
Entre as mudanças técnicas, destaca-se a ampliação da garagem subterrânea. O projeto passou a prever três pavimentos abaixo do nível do solo, com a inclusão de dois subsolos adicionais em relação à proposta original. A decisão foi tomada após contribuições recebidas na fase de consulta pública, quando houve manifestações sobre a necessidade de manter proporção semelhante à atual de vagas destinadas a servidores.
A expectativa é transferir cerca de 22 mil funcionários para o novo complexo. Na configuração inicial, a proporção de vagas por servidor seria reduzida de forma significativa, o que gerou preocupações sobre possíveis impactos na mobilidade do entorno. Apesar de a área ser atendida por linhas de ônibus, trem e metrô, a ampliação do estacionamento foi incorporada ao edital.
Além das alterações estruturais, o custo final também foi influenciado pela reavaliação das despesas com desapropriações, serviços de engenharia e atualizações monetárias. Entre dezembro de 2024 e julho de 2025, os valores foram corrigidos com base nos índices oficiais de inflação e de custos da construção civil, conforme exigência da modelagem contratual.
Especialistas apontam que revisões de valores são recorrentes em projetos de grande porte estruturados como parceria público-privada, sobretudo após etapas de consulta pública e consolidação dos estudos técnicos. Segundo o governo estadual, a proposta arquitetônica escolhida prioriza padrões construtivos considerados adequados para a durabilidade e a funcionalidade do complexo ao longo das próximas décadas.
A iniciativa de transferir a sede administrativa para o centro integra a estratégia de requalificação urbana da região e de concentração de órgãos atualmente dispersos em diferentes imóveis da capital.
Com informações da Folha de S.Paulo.