O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), avalia que é improvável a formação de uma aliança entre o MDB e o PT para a disputa da Presidência da República em 2026. Segundo ele, não há maioria dentro do partido disposta a apoiar um acordo com a sigla do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A declaração, revelada pela jornalista Mônica Bérgamo, ocorre em meio a discussões internas no PT sobre a possibilidade de compor uma chapa presidencial com o MDB, oferecendo ao partido a indicação do candidato a vice-presidente. Entre os nomes ventilados por petistas estão lideranças históricas da legenda emedebista, como ex-presidentes do Senado e senadores em exercício.
No MDB, entretanto, a avaliação predominante é de distanciamento em relação ao PT. Lideranças da sigla apontam insatisfação com a postura adotada pelo partido de Lula nas eleições municipais de 2024, especialmente em São Paulo, onde petistas atuaram diretamente contra a candidatura apoiada pelo MDB. Para esse grupo, o episódio gerou desgaste político e reduziu o espaço para uma reaproximação em nível nacional.
Levantamento interno do MDB indica que a maioria dos diretórios estaduais se posiciona contra uma aliança com o PT nas eleições presidenciais. Dos 26 diretórios, 16 são contrários a um acordo, enquanto 10 manifestam apoio à possibilidade de composição. O resultado reforça a divisão interna, mas aponta vantagem para o grupo que defende outro caminho eleitoral.
Diante desse cenário, dirigentes do MDB passaram a considerar alternativas fora do campo governista. Uma das hipóteses em discussão é a aproximação com o PSD para a formação de uma chapa presidencial em 2026. O partido presidido por Gilberto Kassab reúne atualmente três governadores apontados como possíveis candidatos ao Palácio do Planalto: Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul; Ronaldo Caiado, de Goiás; e Ratinho Jr., do Paraná.
Conversas entre as cúpulas de MDB e PSD já ocorrem de forma reservada, conduzidas por Kassab e pelo presidente do MDB, Baleia Rossi. Apesar dos diálogos iniciais, não há definição formal sobre alianças ou apoio a nomes específicos até o momento.
A indefinição reflete o estágio inicial das articulações para a sucessão presidencial e a estratégia do MDB de manter margem de negociação com diferentes campos políticos. A decisão final deve depender tanto do cenário eleitoral quanto da consolidação de candidaturas competitivas nos próximos meses.