O número de passageiros transportados pelos ônibus municipais de São Paulo voltou a cair em 2025, interrompendo uma sequência de crescimento registrada nos anos anteriores. Dados da SPTrans indicam que, entre janeiro e novembro do ano passado, o sistema transportou em média 7,05 milhões de passageiros por dia útil.
No mesmo período de 2024, a média diária foi de 7,13 milhões de usuários. A diferença representa uma redução no volume de passageiros e sinaliza uma reversão da recuperação observada após o período mais crítico da pandemia de Covid-19.
Antes de 2020, o sistema de ônibus da capital paulista operava com uma demanda próxima de 9 milhões de passageiros por dia útil. Com o início da pandemia, houve uma queda acentuada no uso do transporte coletivo. A partir de 2021, os dados da SPTrans passaram a mostrar crescimento gradual no número de embarques, movimento que se manteve até 2024.
A redução registrada em 2025 marca a primeira queda após quatro anos consecutivos de aumento no volume de passageiros. Mesmo com a retomada parcial da demanda, o sistema não voltou aos patamares observados no período anterior à crise sanitária.
Os dados também refletem impactos no equilíbrio financeiro do transporte coletivo. Em 2025, o custo do sistema municipal de ônibus superou R$ 12,3 bilhões. Esse valor é financiado por duas fontes principais: a arrecadação com tarifas pagas pelos passageiros e o subsídio municipal, destinado a cobrir custos operacionais e gratuidades previstas em lei.
Até 2021, a maior parte do custeio do sistema vinha da arrecadação tarifária, com o subsídio representando menos da metade do valor total. A partir de 2022, a participação da prefeitura no financiamento aumentou progressivamente, acompanhando a redução no número de passageiros pagantes.
Em 2025, segundo os dados oficiais, houve uma diminuição proporcional da participação do subsídio no custeio total, mesmo com a queda no número de usuários. Com menos passageiros pagando tarifa e uma participação menor do subsídio, o sistema passou a depender mais do reajuste do valor da passagem para manter o equilíbrio financeiro.
Esse cenário reforça os desafios enfrentados pelo transporte coletivo na capital, que combina redução de demanda, custos elevados e necessidade de financiamento contínuo para manter a operação diária da rede de ônibus.