A Prefeitura de São Paulo assinou um contrato emergencial com a empresa Sancetur para garantir a continuidade da operação de 133 linhas de ônibus que antes estavam sob responsabilidade da Transwolff. A partir de 1º de fevereiro, a Sancetur passa a responder formalmente pelo serviço, que atende cerca de 555 mil passageiros por dia em diferentes regiões da capital.
A Sancetur já vinha atuando nessas linhas desde que a administração municipal decretou a intervenção na Transwolff. A antiga concessionária é alvo de investigação por suspeita de envolvimento em organização criminosa, no âmbito da Operação Fim da Linha, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo desde abril de 2024. As apurações apuram possíveis crimes de lavagem de dinheiro e desvios ligados ao sistema de transporte coletivo.
Segundo a prefeitura, o contrato emergencial foi firmado para evitar qualquer impacto na mobilidade urbana enquanto é conduzido o processo de uma nova licitação. A futura concorrência pública deverá definir, de forma definitiva, qual empresa assumirá a operação dos lotes atualmente sob intervenção. Até lá, o município afirma que não haverá prejuízos aos usuários nem aos trabalhadores, com a manutenção dos postos de trabalho, salários e benefícios.
Em dezembro de 2025, a Justiça de São Paulo proferiu decisões distintas envolvendo a Transwolff. Em uma delas, a Vara de Crimes Tributários e Organizações Criminosas determinou a suspensão das atividades da empresa, mantendo o afastamento dos investigados da gestão e autorizando a venda antecipada de bens apreendidos. A medida teve como objetivo impedir a rearticulação do grupo, mesmo após o encerramento do contrato com o poder público. A decisão ressaltou que a prestação do serviço de transporte não seria afetada.
Paralelamente, a Vara da Fazenda Pública suspendeu o decreto municipal que havia encerrado o contrato da Transwolff com a prefeitura. O entendimento foi de que o município não teria observado todas as etapas do processo administrativo. Diante disso, a Prefeitura de São Paulo informou que não foi ouvida previamente e anunciou que pretende recorrer da decisão para restabelecer os efeitos do decreto.
A administração municipal sustenta que o decreto de caducidade é legal e foi adotado após procedimento administrativo regular, além de ter sido motivado por determinação judicial relacionada às investigações sobre os sócios da empresa. Em relação à decisão que suspendeu as atividades da Transwolff, o município informou que ainda analisa os impactos jurídicos.
Já a Transwolff afirma que não foi oficialmente notificada sobre a decisão que determinou a suspensão de suas atividades e nega qualquer ligação com práticas ilícitas ou organizações criminosas. A empresa diz que segue atuando para se defender nas instâncias competentes e colaborando com as autoridades, enquanto aguarda os desdobramentos judiciais sobre seus contratos de concessão.