Por: Da Redação

Biblioteca Mário de Andrade troca diretoria após crise e roubos

A Polícia prendeu, nesta segunda-feira (8), um suspeito de ter roubado obras de arte na Biblioteca Mário de Andrade neste fim de semana. O homem foi preso em uma casa na Mooca, na Zona Leste da capital. Na ação, foram levadas oito gravuras de Henri Matisse e cinco gravuras de Candido Portinari, da obra "Menino de Engenho". A Prefeitura de São Paulo comunicou a Interpol, a fim de evitar que os criminosos consigam enviar as gravuras para fora do país. | Foto: Prefeitura de São Paulo

A Biblioteca Mário de Andrade, considerada um dos mais importantes centros culturais e literários do país, passou por uma mudança em sua estrutura de comando pouco mais de um mês após enfrentar um dos episódios mais delicados de sua história recente. A instituição, localizada na região da Consolação, no centro de São Paulo, agora tem Luiza Helena Thesin como nova diretora. Até então, ela ocupava o cargo de supervisora da área de ação cultural e já atuava diretamente na gestão de projetos e atividades da biblioteca.

A alteração ocorre em meio a um período de instabilidade provocado pelo roubo de obras de arte ocorrido no prédio no segundo semestre de 2025. Com a transição, Rodrigo Massi deixa a função de diretor para concentrar-se integralmente no cargo de secretário adjunto, posição que já acumulava desde setembro do mesmo ano. De acordo com a administração municipal, a mudança faz parte de uma reorganização administrativa interna e não está relacionada de forma direta ao episódio criminal.

O caso de segurança ganhou repercussão após a invasão do edifício em uma manhã de domingo. Dois homens armados conseguiram acessar áreas da biblioteca e subtrair obras de alto valor histórico e artístico. No total, foram levadas oito gravuras de Henri Matisse e cinco trabalhos de Candido Portinari, artistas de reconhecimento internacional e fundamentais para a história da arte moderna.

A ação levantou questionamentos sobre os protocolos de segurança adotados em equipamentos culturais da cidade, especialmente em espaços que abrigam acervos de grande relevância. O episódio também reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade de instituições públicas diante de crimes direcionados ao mercado ilegal de arte, que movimenta cifras elevadas e costuma envolver redes especializadas.

As investigações avançaram nas semanas seguintes ao roubo. Cerca de quinze dias após o crime, uma mulher suspeita de envolvimento foi presa pelas autoridades. A polícia aponta que ela teria auxiliado na ocultação das obras subtraídas e mantinha ligação direta com um dos homens identificados pelas câmeras de monitoramento durante a fuga. O principal suspeito segue sendo procurado, e as buscas continuam em andamento.

Para ampliar o alcance das investigações, a Prefeitura de São Paulo comunicou o caso a órgãos nacionais e internacionais. A Interpol foi acionada por meio da Polícia Federal, com o objetivo de evitar que as obras deixem o país ou sejam comercializadas no exterior. Também foram notificados o Instituto Brasileiro de Museus, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e a Associação Brasileira de Galerias de Arte, ampliando a rede de alerta no setor cultural.

As autoridades utilizam imagens do programa Smart Sampa como uma das principais ferramentas de apoio à investigação. O sistema, que integra câmeras espalhadas pela cidade, tem sido fundamental para mapear deslocamentos e identificar possíveis conexões dos envolvidos antes e depois do crime.

Em meio às apurações, a administração municipal reforçou que o acervo exposto estava integralmente protegido por seguro, o que reduz o impacto financeiro da perda, mas não elimina o prejuízo cultural causado pelo desaparecimento temporário das obras. A prefeitura também destacou que a Biblioteca Mário de Andrade conta com equipe de vigilância, monitoramento eletrônico e dispositivos físicos voltados à proteção do patrimônio.

A chegada de Luiza Helena Thesin à direção ocorre em um momento estratégico para a instituição, que busca retomar a normalidade de suas atividades e reforçar a confiança do público. Além de preservar um acervo histórico, a biblioteca desempenha papel central na difusão cultural da cidade, com programação artística, atividades educativas e acesso gratuito à leitura.

A expectativa da gestão municipal é que a nova diretoria contribua para fortalecer os processos internos, revisar protocolos de segurança e ampliar ações culturais, garantindo que a Biblioteca Mário de Andrade siga cumprindo sua função como referência cultural e intelectual de São Paulo, mesmo após um dos períodos mais turbulentos de sua trajetória recente.