A réplica do avião 14-Bis, instalada no Monumento a Santos Dumont, está na Praça Campo de Bagatelle, na zona norte de São Paulo, após a conclusão de um processo de restauração conduzido pela Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa. A intervenção teve investimento de R$ 179 mil e devolveu ao espaço público um dos principais símbolos da história da aviação brasileira. O serviço de restauro foi contratado pela Secretaria e executado pelo escritório Julio Moraes Conservação e Restauro, especializado em bens culturais. Os trabalhos incluíram limpeza completa da estrutura, recomposição de partes danificadas ou ausentes, tratamento contra corrosão, pintura e reinstalação do conjunto, que contempla a réplica do 14-Bis, as colunas e o busto de Santos Dumont.
A primeira versão do monumento foi inaugurada em 1974, durante as comemorações do centenário de nascimento de Santos Dumont. A obra, criada pelo artista plástico Luiz Morrone, também autor do monumento a Pedro Álvares Cabral, no Parque Ibirapuera, possuía 10 metros de largura e 12 metros de comprimento. A escolha da Praça Campo de Bagatelle se deu pela proximidade com o Campo de Marte e pela referência histórica ao local onde o inventor realizou feitos decisivos para a aviação.
Em dezembro de 2023, a réplica foi removida do local para início do restauro pela Força Aérea Brasileira (FAB). A partir de abril de 2025, os serviços passaram a ser conduzidos diretamente pela Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, com ordem de início emitida em 23 de abril. Durante o período, o Parque de Material Aeronáutico (PAMA) cedeu um galpão para a execução dos trabalhos.
A Praça Campo de Bagatelle faz alusão ao campo homônimo em Paris, na França, onde Santos Dumont realizou, em 23 de outubro de 1906, o primeiro voo homologado de uma aeronave mais pesada que o ar, decolando por seus próprios meios. Na ocasião, o 14-Bis percorreu 60 metros a cerca de três metros de altura. Menos de um mês depois, em 12 de novembro, o inventor ampliou o feito ao voar 220 metros a seis metros de altura durante 21 segundos, conquistando o primeiro recorde aeronáutico da história. Antes de receber o nome atual, a praça era chamada de Bandeirantes e foi renomeada em julho de 1974. Ao longo das décadas, o monumento passou por diversos episódios de danos causados por temporais, furtos e desgaste natural. Em diferentes momentos, a obra foi restaurada, reforçada estruturalmente e até reproduzida em alumínio, sofrendo alterações no projeto.