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Putin tem nova vitória contra a Ucrânia

Após semanas de discussão, a União Europeia desistiu de usar reservas russas congeladas na Bélgica para lastrear um empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 585 bilhões) que visa apoiar a Ucrânia em sua guerra contra a invasão russa.

O dinheiro, agora, virá de fundos europeus já existentes, na prática resolvendo o problema mais imediato do governo de Volodimir Zelenski, que precisa de 136 bilhões de euros (R$ 880 bilhões) para fechar suas contas em 2026 e 2027.

O bloco, em reunião do Conselho Europeu que começou na véspera em Bruxelas, tentou manter as aparências. "Nós nos comprometemos e entregamos. A UE se reserva o direito de fazer uso dos ativos imobilizados para pagar o empréstimo", disse o chefe do órgão, o português António Costa.

Na prática, foi uma derrota para líderes como o premiê alemão, Friedrich Merz, que fez uma campanha para dar o que chamou de um sinal claro a Vladimir Putin. Seu colega polonês, Donald Tusk, chegou a dizer que a Europa tinha "uma escolha entre dinheiro hoje ou sangue amanhã".

O esquema havia sido proposto na semana passada pela Comissão Europeia, órgão executivo da UE, e desenhado para driblar a quase sempre necessária unanimidade no bloco continental. Invocando um risco emergencial ao bloco, que países como a Hungria dizem não existir, o órgão determinou que uma simples maioria entre seus 27 membros seria necessária.

A ideia era engenhosa e mirava, inicialmente metade dos 180 bilhões de euros (R$ 1,17 trilhão no câmbio desta quinta) que o Banco Central russo tem na agência belga de depósitos Euroclear. Esse dinheiro era investido em títulos do Banco Central Europeu e o rendimento, pelo acordo, ficava com a Euroclear.

Com as sanções devido à guerra, o acesso aos ativos foi congelado, mas eles seguem sendo russos. O que o plano prevê é que a Euroclear passe a investir o valor em títulos emitidos pela Comissão Europeia, que usará o dinheiro para emprestar em parcelas para Kiev em 2026 e 2027.

Segundo a proposta, Kiev só teria de devolver o empréstimo quando a Rússia lhe pagasse reparações pelos danos da guerra. Ou seja, que Moscou pague para ter seu dinheiro de volta. Para isso, foi montada nesta semana na Holanda uma comissão internacional para avaliar valores.

Na sexta (19), Putin voltou a dizer que a ideia equivalia a um roubo, explicitando riscos para a economia. "Não é só um dano de imagem, é a erosão da confiança na zona do euro, pelo fato de que muitos países, não só a Rússia, têm reservas em moeda estrangeira. Se isso começasse, poderia ser replicado sob vários pretextos", disse.