O prefeito de Votorantim, Weber Manga (Republicanos), passou a ser investigado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo no processo que analisa a compra de uniformes escolares. O contrato, de R$ 7,6 milhões, foi firmado por meio de uma ata de Cuiabá (MT), e seu pagamento foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.
A administração municipal informou não ter sido notificada sobre a suspensão.
Na manifestação enviada ao órgão, a prefeitura defendeu que todo o processo foi realizado conforme a legislação. O promotor responsável, Josmar Tassignon Junior, no entanto, considerou que o valor elevado exige exame mais aprofundado, sobretudo quanto ao preço final e à adoção de uma ata de outro estado para viabilizar a compra.
O caso também é acompanhado pelo TCE-SP, que em agosto já havia anunciado investigação e interrompido cautelarmente o repasse relativo aos uniformes. Moradores também reclamaram da qualidade do material entregue. O Tribunal apontou falhas na contratação, entre elas a falta de justificativa para a escolha das empresas que participaram da cotação, etapa exigida pela Lei de Licitações (14.133/2021).
Durante as apurações, vieram à tona divergências nos registros de duas empresas ligadas a contratos de valores elevados com o município na área da educação, apesar de suas proprietárias levarem vidas modestas e sem sinais de padrão compatível com tais negócios.
Fornecedora
A atual dona da CB News, responsável pelos uniformes, é Nadyla Torres de Almeida. A apuração apontou que Nadyla vive na mesma cidade da antiga proprietária, Camila Souza Costa. Camila, por sua vez, aparece hoje como dona da Global Atacadista, contratada por R$ 3,4 milhões para fornecer alimentos às escolas de Votorantim, embora o endereço registrado por ela seja um apartamento vazio no Belenzinho, em São Paulo.
A CB News acumula mais de 60 contratos com prefeituras desde 2021, somando mais de R$ 90 milhões. Após assumir a empresa em agosto de 2022, Nadyla viu o capital social saltar de R$ 250 mil para R$ 1,5 milhão, excedendo atualmente R$ 5 milhões.
Antes dela, Camila liderou a empresa por cerca de dois meses, quando o capital era de R$ 125 mil. Ao sair, abriu a Global Atacadista, que hoje tem capital de R$ 6 milhões e atua em dez municípios. Apesar dos valores envolvidos, Camila recebe R$ 750 do Bolsa Família e Nadyla se apresenta apenas com uma rotina simples nas redes sociais.