O prefeito afastado de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), e a primeira-dama Sirlange Frate Maganhato passaram a integrar oficialmente a lista de investigados no inquérito que apura a compra superfaturada do prédio destinado à Secretaria da Educação (Sedu). A inclusão do casal ocorre após uma nova etapa conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e por promotores da área de improbidade, que avançaram sobre o núcleo político do governo com base em mensagens extraídas de celulares apreendidos.
Investigações
Além de Manga e Sirlange, também entraram na mira do Ministério Público o empresário Marco Mott, amigo do prefeito, e o ex-secretário de Educação Márcio Bortolli Carrara. As apurações ganharam força após a análise de conversas atribuídas a integrantes do governo, indicando que o casal acompanhava a avaliação e a compra do imóvel. O caso teve início em 2021, quando a Prefeitura desapropriou por R$ 29,8 milhões um prédio que havia sido anunciado semanas antes por R$ 20 milhões em sites imobiliários.
Documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação mostraram ainda que, mesmo após a compra milionária, o imóvel não atendia plenamente às necessidades da Sedu, que continuou distribuída em outros endereços. O Conselho Municipal de Educação também questionou o negócio e apontou a desapropriação como um dos fatores para a reprovação das contas da pasta no período.
Laudos irregulares
As decisões judiciais já proferidas revelam um esquema envolvendo laudos manipulados para elevar artificialmente o preço do imóvel. Segundo as sentenças, ex-secretários orientaram o engenheiro aposentado Areobaldo Negretti a assinar um novo laudo com valor de quase R$ 30 milhões, muito acima dos cerca de R$ 19 milhões estimados por análise técnica anterior. Negretti relatou ter recebido R$ 20 mil para assinar o documento sem vistoria, incluindo no relatório características inexistentes, como elevadores especiais e heliponto.
Foram condenados Fausto Bossolo, Paulo Henrique Marcelo, Negretti e dois empresários ligados ao negócio, todos recorrendo em liberdade.
Segundo as informações divulgadas, a ampliação do inquérito, agora com Manga e Sirlange entre os investigados, decorre de diálogos atribuídos ao casal, em que eles perguntam sobre o andamento dos laudos e da avaliação do prédio.