A Avenida Faria Lima, um dos principais eixos corporativos de São Paulo, passou a integrar pela primeira vez o ranking das 30 ruas mais caras das Américas, segundo a edição mais recente do relatório Main Streets Across the World, da consultoria global Cushman & Wakefield. O estudo, referência mundial na análise de mercados imobiliários de varejo, apontou que a via paulistana registrou uma valorização de cerca de 43% no preço dos aluguéis entre 2024 e 2025, a segunda maior alta percentual entre todas as ruas listadas no continente.
Com esse salto, a Faria Lima aparece agora na 25ª posição entre os endereços mais caros das Américas. O aluguel médio anual na região chegou a 920 euros por metro quadrado, valor que supera R$ 5,7 milhões ao ano — um patamar que coloca a avenida entre os pontos comerciais mais disputados da América Latina.
Valorização inédita e demanda crescente por endereços corporativos
O avanço da Faria Lima no ranking chama atenção justamente porque a via não é tradicionalmente classificada como rua de varejo, categoria predominante no estudo. Historicamente, o levantamento analisa corredores comerciais com forte presença de lojas de rua, marcas globais e fluxo intenso de consumidores. No caso paulistano, a ascensão está ligada ao perfil corporativo da avenida, marcada por edifícios de alto padrão e sede de grandes empresas de tecnologia, finanças e consultoria.
Para Dennys Andrade, diretor de pesquisa da Cushman & Wakefield no Brasil, a presença inédita da Faria Lima no ranking reflete uma combinação de fatores: expansão do mercado corporativo, contratos de locação mais extensos, escassez de áreas disponíveis e forte pressão de empresas que desejam associar sua marca ao endereço. Segundo ele, “os preços pedidos na região já são quase o dobro da média de São Paulo, e os poucos espaços comerciais seguem essa tendência, impulsionados por uma demanda que continua aquecida”.
Oscar Freire segue como principal referência brasileira no varejo de luxo
Além da Faria Lima, o levantamento destaca outros endereços brasileiros que permanecem entre os mais caros do continente. A Rua Oscar Freire, também em São Paulo, figura não só no ranking das Américas, mas também na lista global de ruas mais caras do mundo — sendo a única brasileira com essa visibilidade internacional.
A via, conhecida por concentrar lojas de alta moda, joalherias e grifes internacionais, registrou uma das maiores altas entre os endereços analisados no país: 65% de valorização no aluguel em apenas um ano. O preço médio anual atingiu 1.128 euros por metro quadrado, ultrapassando R$ 7 milhões, o que garantiu à Oscar Freire a 23ª colocação entre as ruas mais caras das Américas.
Mercado de varejo premium também avança no Rio de Janeiro
O estudo também inclui duas ruas do Rio de Janeiro que reforçam a posição do Brasil no cenário de varejo de alto padrão: Garcia D’Ávila e Visconde de Pirajá, ambas localizadas no bairro de Ipanema. Os endereços cariocas aparecem com destaque pela combinação de fluxo turístico, presença de marcas internacionais e valorização imobiliária constante no entorno da zona sul.
Brasil reforça presença entre mercados mais valorizados das Américas
A presença de quatro ruas brasileiras no ranking continental — duas em São Paulo e duas no Rio — mostra não apenas o fortalecimento do varejo de luxo, mas também a consolidação de polos urbanos que atraem investimentos, novos empreendimentos e marcas globais. No caso da Faria Lima, a entrada no ranking marca um movimento incomum: a migração de um eixo predominantemente corporativo para uma classificação típica de corredores comerciais.