O Palácio Rio Branco, na capital acreana, volta a ter uma mulher no comando.
Se em 1986, Iolanda Fleming fez do estado o primeiro do país a ser governado por uma mulher, 40 anos depois é Mailza Assis (PP) quem sobe as escadarias do Palácio com a missão de dar continuidade ao plano de governo construído em parceria com Gladson Camelí (PP), que deixa o cargo para disputar as eleições deste ano.
O simbolismo ganha ainda mais força porque a trajetória das duas mulheres a ocupar a cadeira do Executivo se entrelaça não apenas neste momento, mas também em uma história maior de reconhecimento às mulheres que ajudaram a construir o Acre e a formular políticas públicas que transformaram de maneira definitiva práticas e procedimentos no estado.
Visita
Aos 89 anos, Iolanda revisitou o Palácio Rio Branco, espaço que guarda parte essencial de sua história e também da memória do Acre, e falou sobre sua gestão.
Emocionada, relembrou que sua posse foi marcada por intensa comemoração das mulheres e contou com o apoio da população, mesmo em um ambiente que, sobretudo na década de 1980, era considerado predominantemente masculino.
Iolanda Fleming assumiu a chefia do Executivo estadual entre 1986 e 1987, após a renúncia de Nabor Júnior para concorrer ao Senado.
Iolanda ficou marcada como a nona governadora do Acre e a primeira mulher a governar um estado brasileiro, reconhecimento que lhe rendeu, em 2019, o Diploma Bertha Lutz, concedido pelo Senado Federal. A homenagem foi entregue pela então senadora Mailza Assis.
Nascida em Manoel Urbano, filha de um seringueiro e de uma imigrante árabe, Iolanda jamais imaginou que, após trabalhar como empregada doméstica e agricultora, iria se tornar uma das mulheres mais importantes do país.
Sua trajetória ganhou novos rumos quando abraçou a educação, como professora e, mais tarde, a advocacia, abrindo caminho para uma carreira marcada pelo pioneirismo e pela força feminina na política acreana.