Por:

"Hospitour": passeio pela Santa Casa do Pará

O Museu da Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém, ficou lotado de servidores e usuários atentos aos muitos detalhes sobre a história da instituição contados nesta segunda (23) em quatro aulas dadas pelos pesquisadores do Laboratório de Memória e Patrimônio Cultural (Lamemo/UFPA), vinculado ao Grupo de Pesquisa Arquitetura, Memória e Etnografia da UFPA, como parte da comemoração pelos 376 anos da instituição.

A primeira aula do dia foi ministrada pela doutora Cybelle Salvador Miranda que, além de encantar o público presente com as curiosidades sobre os fatos históricos ao longo dos mais de 3 séculos e a riqueza arquitetônica do prédio da instituição, inaugurado em 1900, destacou a importância da Santa Casa como patrimônio cultural no presente.

Patrimônio

"A Santa Casa é um patrimônio material e imaterial, porque, de uma forma geral, toda a população reconhece o valor da Santa Casa enquanto um espaço assistencial, mas muitas vezes não tem muita noção dessa questão histórica e arquitetônica, e, como essas características, revelam muito sobre a história de Belém, a história do Pará, os valores que são atribuídos, as personalidades que vivenciaram e que construíram a Santa Casa", declarou a professora.

O pesquisador Arthur Moreira, também membro da equipe do Lamemo, ministrou as demais aulas do dia, que foram sucedidas por um "hospitour" no qual parte da história pode se materializar em paredes, janelas, vitrais e outros elementos do prédio centenário.

A enfermeira Francielma Chagas já caminhou muitas vezes pelos corredores da Santa Casa ao longo de seis anos de trabalho na instituição, mas nesta segunda-feira, depois de acompanhar a aula e participar do passeio orientado pela equipe do Museu, começou a olhar corredores e alas, e até sua própria trajetória na instituição, de outra forma.

"Hoje, depois desse momento de aprendizado, com certeza vou ter um outro olhar para a Santa Casa. Poder admirar melhor e reconhecer que cada parte dessa instituição tem um legado de conquistas, avanços e personagens que contribuíram para que hoje ela esteja ainda mais bela e atendendo os nossos pacientes com excelência", afirmou.

Restauração

Os investimentos do governo para a restauração e readaptação do prédio centenário da instituição nos últimos anos foram um dos elementos considerados pelos pesquisadores como primordiais para que a estrutura centenária pudesse resguardar a história e ao mesmo tempo se manter como espaço útil para assistência e ensino em saúde.

"Eu parabenizo a atual administração que vem gerindo de uma maneira muito positiva, revitalizando os pavilhões, dando novos usos. Antigamente eram vistos como pavilhões obsoletos e hoje se vê que todos podem ter um uso importante aqui dentro do hospital. O espaço do museu é um espaço muito rico, espero que ele possa estar aberto para toda a comunidade também", enfatizou Cybelle Miranda.