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Boêmios do Laguinho vence o Carnaval do Amapá

A emoção tomou conta do Sambódromo de Macapá (AP) na tarde de quarta-feira (18), durante a apuração do Carnaval do Meio do Mundo 2026.

Em uma disputa marcada por notas apertadas e reviravoltas a cada quesito anunciado, a Boêmios do Laguinho sagrou-se campeã do Grupo Especial, enquanto a Império da Zona Norte conquistou o título do Grupo de Acesso e garantiu o retorno à elite do samba amapaense.

O evento foi realizado pela Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap), com apoio do Governo do Estado e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil).

Sodoma e Gomorra

A Boêmios do Laguinho alcançou 180,80 pontos com o enredo "Sodoma e Gomorra: do Pecado à Redenção", liderando a apuração de ponta a ponta.

Já a Império da Zona Norte também somou 180,80 pontos no Grupo de Acesso, com o enredo "Amazonas, o que diz a tua foz - Da preservação ao progresso", assegurando o acesso ao Grupo Especial em 2027.

No Grupo Especial, as escolas Piratas Estilizados, Piratas da Batucada e Império do Povo sofreram punições com perda de décimos, o que impactou diretamente o resultado final.

Com 72 anos de história, a Boêmios do Laguinho amplia sua trajetória vitoriosa ao conquistar o 29º título do carnaval amapaense, o maior número entre as agremiações do estado, incluindo uma conquista no Grupo de Acesso.

Com o desfecho da apuração, a Piratas da Batucada, que somou 179,40 pontos, foi rebaixada para o Grupo de Acesso. A vaga na elite será ocupada pela Império da Zona Norte, que retorna ao Grupo Especial após ter sido rebaixada em 2025.

Após 11 anos

Última agremiação a desfilar na Avenida Ivaldo Veras, na madrugada de sábado, 14, a Boêmios do Laguinho emocionou o público com uma apresentação marcada pela força simbólica e estética. Conhecida como "Nação Negra", a escola voltou a erguer o troféu após 11 anos de jejum.

Com o enredo "Sodoma e Gomorra: do Pecado à Redenção", a escola apostou em uma abordagem artística e contemporânea ao revisitar a narrativa das cidades que se tornaram símbolo de luxúria e punição divina.

Mais do que retratar condenação, o desfile destacou a transmutação de saberes e lições milenares que fundamentam valores como justiça, bondade, generosidade e amor, contextualizando-os à realidade de 2026.

"Esse título é da nossa comunidade, da nossa 'Nação Negra' que nunca deixou de acreditar. Foram 11 anos de espera, de muito trabalho e resistência. A Boêmios mostrou na avenida que tradição e inovação caminham juntas. É um campeonato que honra nossa história e cada integrante que deu o seu melhor", destacou Hickaro Santos, representante da agremiação.

A Mocidade Independente Império da Zona Norte levou à avenida uma narrativa poética e visualmente impactante com o enredo "Amazonas, o que diz a tua foz".