Agentes da Polícia Federal cumpriram na manhã de quinta-feira (5) mandado de busca e apreensão na casa do governador do Acre, Gladson Cameli (PP).
A operação investiga possível fraude na fase prática de uma prova de certificação aeronáutica em escolas de aviação e centros de prova no Acre, com os possíveis crimes de falsidade documental e corrupção.
A Polícia Federal investiga a possível participação do governador no esquema, com possível uso do cargo público para obter vantagem indevida. A operação de busca e apreensão foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde têm foro os governadores.
Dinheiro vivo
Ao fazer a busca e apreensão na casa de Gladson Cameli, a PF lá encontrou R$ 500 mil em dinheiro vivo.
Segundo o próprio governador, os policiais levaram de sua casa dispositivos eletrônicos, como notebooks e celulares, e a quantia encontrada em dinheiro.
A PF busca informações sobre a avaliação feita pelo próprio Gladson Cameli para obter certificação para obter brevê de piloto em uma escola de aviação local onde ele foi aluno. A suspeita é de existência de um esquema para facilitar a aprovação.
Reserva financeira
Cameli afirmou que o dinheiro encontrado é uma "reserva financeira", e que a origem do recurso é privada. Mas não explicou qual seria a origem nem por que guardaria em casa meio milhão de reais.
O valor é o suficiente para comprar automóveis de luxo como Ford Mustang ou BMW X5. Em Rio Branco, há anúncios de apartamentos de quatro quartos por R$ 460 mil.
"Sereno"
"Mantenho-me sereno quanto ao ocorrido", disse o governador, de acordo com informações do UOL. "Desde já, agradeço as manifestações de apoio da população. Reiterando minha confiança na Justiça, lamento as tentativas de perseguição e, mais uma vez, de estratégia política para me atingir na véspera das eleições".
Gladson Cameli deverá ser candidato a senador nas eleições de outubro. De acordo com pesquisa Real Time Big Data realizada em dezembro, ele lidera as intenções de voto, com 27%.
O governador do Acre já é reu em outro processo. Ele responde a uma ação no STJ por suspeita de liberar recursos para uma empresa contratada pelo governo sem licitação ligada a seu irmão, Gledson Cameli. Segundo a denúncia, teriam sido desviados R$ 16 milhões em recursos públicos.