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Polícia do Tocantins investiga esquema milionário

A Polícia Civil do Tocantins, por meio da 3ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (3ª Deic) de Araguaína, deflagrou nesta quinta-feira, 5, a operação Cartão Oculto, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro.

O grupo é investigado por causar prejuízo estimado em mais de R$ 1 milhão a uma instituição de pagamentos.

Coordenada pelo delegado titular da unidade, Márcio Lopes da Silva, a ação cumpre cinco mandados de busca e apreensão nas cidades de Araguaína/TO, Divinópolis/MG, Ribeirão Preto/SP e Nova Iguaçu/RJ.

Além das buscas, a Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros nas contas dos investigados até o limite do valor desviado.

Investigação

As apurações tiveram início após denúncia da empresa vítima, que identificou movimentações atípicas e um volume elevado de transações suspeitas.

A partir da análise técnica e do rastreamento financeiro, os policiais constataram a existência de um esquema estruturado para aplicar golpes por meio de operações eletrônicas simuladas.

Conforme levantado, o grupo seria liderado por um morador de Araguaína, responsável por criar e manter uma empresa de fachada utilizada exclusivamente para dar aparência de legalidade às transações fraudulentas.

De acordo com as investigações, os criminosos simulavam vendas que nunca aconteceram para induzir a instituição de pagamentos a liberar valores indevidos.

Para isso, utilizavam dados de cartões de crédito obtidos ilegalmente e registravam compras fictícias em nome da empresa de fachada.

Com as transações lançadas no sistema como se fossem vendas reais, os investigados solicitavam a antecipação dos valores a receber. Dessa forma, o dinheiro era liberado quase imediatamente, antes que as fraudes fossem identificadas.

Assim que os recursos eram creditados, o montante era rapidamente transferido para diversas contas de terceiros, utilizadas como laranjas, em diferentes estados, dificultando o rastreamento e a recuperação do dinheiro.

Etapas do esquema

A fraude funcionava da seguinte forma: inicialmente ocorria a obtenção ilegal de dados de cartões, por meio da captura de informações em páginas falsas na internet e da compra de dados em redes clandestinas, utilizando a técnica conhecida como phishing.

Em seguida, eram registradas vendas fictícias, com o lançamento de compras inexistentes na modalidade on-line, sem a presença física do cartão.

Após, os criminosos solicitavam a liberação rápida dos valores, por meio da antecipação dos recebíveis, para sacar o dinheiro antes que as vítimas pudessem contestar as transações.

Por fim, o dinheiro era dispersado mediante transferências fracionadas para contas de terceiros, com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos recursos.