A cabotagem no Nordeste movimentou 1,82 milhão de toneladas em janeiro, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos. A movimentação foi liderada pelo estado do Maranhão (1,24 milhão de toneladas), seguido pela Bahia (1,14 milhão), Pernambuco (1,07 milhão) e Ceará (892 mil toneladas).
Entre os produtos mais transportados estão petróleo bruto (950 mil toneladas), bauxita (875 mil toneladas), derivados de petróleo sem óleo bruto (867 mil toneladas) e contêineres (613 mil toneladas), essenciais para o fornecimento de energia, sustentar a indústria regional e garantir o abastecimento de bens estratégicos à população do Nordeste.
Para o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, o avanço da cabotagem na região demonstra como a navegação marítima contribui para o desenvolvimento econômico. "O avanço da navegação marítima no Nordeste fortalece a indústria local, gera emprego e renda, reduz custos logísticos e garante mais segurança no abastecimento. Além disso, amplia a integração entre os estados e conecta a produção regional a mercados estratégicos no Brasil e no exterior", afirmou.
Ao concentrar grandes volumes no transporte marítimo, a cabotagem também ajuda a equilibrar a matriz de transportes, reduzindo a dependência das rodovias e ampliando a segurança no fluxo de mercadorias estratégicas para a população e o setor produtivo.
O desempenho da cabotagem na região reflete o avanço de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da navegação entre portos brasileiros. Entre as principais iniciativas está o Programa BR do Mar, do Ministério de Portos e Aeroportos, que reorganizou o setor, trouxe maior clareza nas regras e ampliou a segurança jurídica para investidores e operadores logísticos.
Instituído por lei em 2022, o BR do Mar tem como objetivo ampliar a oferta de embarcações, incentivar a concorrência e criar novas rotas de transporte marítimo, tornando a cabotagem mais competitiva em relação a outros modais logísticos. A iniciativa também estimula investimentos privados e o desenvolvimento da indústria naval, além de permitir maior flexibilidade na utilização de embarcações, contribuindo para a expansão da frota disponível no país.
Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, "com regulação clara, planejamento estratégico e incentivos consistentes, o governo cria segurança jurídica, fortalece a integração entre os estados e amplia a eficiência da navegação aquaviária, tornando-a um instrumento confiável de política pública para o abastecimento, a logística e a gestão de recursos estratégicos do país".
Com a expansão das rotas e o aumento da movimentação entre portos, a cabotagem se consolida como alternativa estratégica para fortalecer a integração logística do Nordeste e do Brasil. Atualmente, esse tipo de transporte representa cerca de 11% da carga total movimentada no país e apresenta tendência de crescimento nos próximos anos, impulsionada pela redução de custos logísticos e pela ampliação da oferta de serviços.
Além da eficiência operacional, a navegação de cabotagem também apresenta vantagens ambientais, já que o transporte marítimo emite menos poluentes em comparação ao modal rodoviário e contribui para a redução do número de caminhões em longas distâncias. Esse movimento favorece a diminuição de custos operacionais e amplia a segurança nas rodovias.
A expectativa do Governo Federal é de que, com a continuidade das políticas públicas e o amadurecimento do setor, a navegação marítima amplie ainda mais sua participação na matriz.