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Cientistas da Bahia produzem sabonete de capim-limão

Muito popular no Brasil, o capim-limão (Cymbopogon citratus), também conhecido como capim-santo ou erva-cidreira-de-capim, chamou a atenção das estudantes Thaís Oliveira e Sabrina Lopes, do Centro Territorial de Educação Profissional Médio Sudoeste Eurides Evangelista Pinto, no município de Itororó. Ao pesquisarem as propriedades da planta, amplamente utilizada na medicina popular e na indústria cosmética por suas características aromáticas e calmantes, as jovens tiveram a ideia de desenvolver um sabonete utilizando esta matéria-prima natural.

O capim-limão é conhecido por possuir óleos essenciais com propriedades antissépticas, antifúngicas e relaxantes, além de aroma cítrico agradável, características que o tornam um ingrediente promissor para produtos de higiene pessoal. A partir dessas informações, as estudantes passaram a investigar formas de extrair e utilizar o extrato vegetal de maneira segura e eficiente, buscando conciliar conhecimento científico e práticas sustentáveis.

A iniciativa deu tão certo que o produto desenvolvido foi destaque no Encontro Estudantil da Secretaria da Educação, evento que reúne projetos inovadores produzidos por estudantes da rede pública. A professora orientadora da dupla, Laise Estefanes, explica que a proposta inicial era criar um sabonete de forma sustentável, reduzindo o impacto ambiental em comparação a produtos industrializados convencionais, que muitas vezes utilizam componentes químicos agressivos ao meio ambiente.

"Nosso produto tem como diferencial o uso de capim-limão cultivado na horta da própria escola, garantindo uma matéria-prima natural e de fácil acesso. Priorizamos a sustentabilidade, com recursos disponíveis no ambiente escolar, incentivando o aproveitamento consciente e a educação ambiental", afirma a docente.

Durante o desenvolvimento do projeto, as estudantes também estudaram conceitos relacionados à composição química dos sabonetes, pH adequado para a pele e técnicas de produção artesanal, além de cuidados necessários para garantir a qualidade e a segurança do produto final. O trabalho envolveu etapas como preparo do extrato vegetal, testes de fragrância, textura e durabilidade, além da avaliação da aceitação do produto entre colegas e professores.

A professora visualiza a educação científica e empreendedora como uma oportunidade concreta de futuro para jovens de todas as idades. "Projetos como esse aproximam os alunos da pesquisa científica de forma aplicada, permitindo que eles compreendam na prática conceitos de química, biologia e controle de qualidade. Além disso, estimulam o pensamento empreendedor e a criatividade, preparando-os para desafios acadêmicos e profissionais", destaca.

Segundo Thaís e Sabrina, as próximas etapas do projeto já estão mapeadas e envolvem aprimorar a formulação do sabonete e ampliar o foco em sustentabilidade. Entre os objetivos futuros estão testar novos ingredientes naturais, como extratos vegetais e óleos essenciais, além de estudar alternativas para embalagens biodegradáveis, reduzindo ainda mais o impacto ambiental do produto.

"Pretendemos seguir a pesquisa para encontrar mais matérias-primas sustentáveis, buscando ingredientes que tenham menor impacto ambiental e que possam ser obtidos de forma consciente", concluem as estudantes.

Bahia Faz Ciência

Lançada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, em 8 de julho de 2019, a série de reportagens Bahia Faz Ciência apresenta como pesquisadores, professores e estudantes baianos desenvolvem trabalhos em ciência e tecnologia.