O Nordeste registrou, em janeiro de 2026, o quadro mais severo de seca do Brasil, segundo a atualização mais recente do Monitor de Secas. A região foi a única do país a apresentar áreas classificadas como seca extrema e também concentrou o maior percentual de território afetado: 97% da área nordestina apresentou algum grau do fenômeno no período analisado.
Os dados comparam as condições climáticas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 e mostram que, enquanto a seca perdeu intensidade em várias regiões do país, no Nordeste o cenário foi inverso. O fenômeno se intensificou em oito estados brasileiros, sendo sete deles nordestinos: Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. O Pará foi o único estado fora da região a registrar agravamento da situação.
A análise também indica que, entre as cinco regiões geopolíticas acompanhadas pelo Monitor de Secas, apenas o Nordeste apresentou aumento na severidade do fenômeno no período. No Centro-Oeste, Norte e Sudeste houve abrandamento da seca, enquanto no Sul a situação permaneceu estável, apesar da expansão territorial do fenômeno.
Além da intensidade mais elevada, o Nordeste também concentra os estados com maior abrangência da seca. Em janeiro, onze unidades da Federação registraram o fenômeno em 100% do território. Entre elas estão sete estados nordestinos: Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. Também aparecem na lista o Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e Tocantins.
Mesmo em estados onde a área afetada não atingiu a totalidade do território, os percentuais permanecem elevados. Nas demais unidades com ocorrência de seca, a cobertura variou de 21% a 94% da área estadual.
Em relação à extensão territorial do fenômeno, o Monitor aponta estabilidade no Nordeste entre dezembro e janeiro, o que indica que a seca não avançou em novas áreas, mas se tornou mais intensa em regiões já afetadas. Situação semelhante foi registrada no Norte do país. Já no Sul houve expansão da área com seca, enquanto Centro-Oeste e Sudeste apresentaram redução.
No balanço nacional, a severidade da seca diminuiu em 13 unidades da Federação no período analisado, incluindo estados como Bahia, Amazonas, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. Em quatro estados — Amapá, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina — o quadro permaneceu estável.
Outras mudanças relevantes foram registradas no mapa da seca no país. O Rio Grande do Sul voltou a apresentar o fenômeno em janeiro.