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Acervo da escravidão na Bahia é reconhecida como Memória do Mundo

Acervo documental preservado e salvaguardado na Bahia intitulado "Passaportes de Pessoas Escravizadas, Libertas, Pessoas Livres e Africanos Repatriados (1821-1889)" passa a integrar oficialmente o Registro Regional da América Latina e Caribe do Programa Memória do Mundo da Unesco. O certificado é o primeiro título internacional conquistado pelo Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), unidade da Fundação Pedro Calmon (FPC), vinculada à Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA).

O conjunto documental do APEB/FPC foi selecionado para representar o Brasil na candidatura ao Registro Internacional do Programa Memória do Mundo da UNESCO. A indicação para a etapa internacional é independente de reconhecimentos anteriores, mas o acervo já havia sido inscrito no Registro Regional da América Latina e do Caribe (MoWLAC), por decisão do Comitê Regional do programa em sua 25ª reunião anual.

Além da Bahia, o Brasil também será representado pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo, com a candidatura do acervo de Luiz Gama.

Sobre o título, o diretor do APEB, Jorge Vieira, celebra: "É uma conquista que alça o registro da população negra ao status de memória do Mundo". Reconhecido como uma das principais instituições de guarda de documentos históricos do Brasil, o APEB celebra esse marco para a memória histórica do mundo. "A seleção confirma a força de um acervo que devolveu rosto e dignidade a vidas apagadas. É o reconhecimento internacional da potência documental da Bahia e da relevância histórica desse conjunto único", afirmou.

O diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, Sandro Magalhães, também comentou e celebrou a conquista da Bahia. "É um reconhecimento internacional de um trabalho de grande relevância histórica, que, com todo o apoio do Governo do Estado", finaliza.