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Saúde inicia vacinação contra dengue no estado do Piauí

O Ministério da Saúde iniciou a vacinação contra a dengue com foco inicial nos profissionais de saúde e anunciou a ampliação da campanha para outros públicos ainda neste ano. A estratégia prevê que, no segundo semestre, a imunização seja estendida para pessoas de 15 a 59 anos, começando pelas faixas etárias mais elevadas. A expansão acompanhará o aumento da capacidade produtiva do Instituto Butantan, responsável pela oferta das doses.

Para viabilizar a primeira etapa da campanha, o governo federal investiu R$ 368 milhões na aquisição de 3,9 milhões de doses da vacina, comprando todo o quantitativo atualmente disponível. A vacinação começou de forma escalonada, conforme a entrega das remessas aos estados e municípios.

Além da aplicação inicial nos grupos prioritários, o Ministério da Saúde também colocou em prática uma estratégia para avaliar o impacto do imunizante na dinâmica de transmissão da doença. Desde janeiro, está em andamento uma ação de aceleração da vacinação em três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nessas cidades, a imunização contempla adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, permitindo o monitoramento mais amplo dos efeitos da vacina na circulação do vírus.

A definição do público prioritário ocorreu após reunião técnica com especialistas e seguiu recomendação da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI), instância responsável por analisar evidências científicas e orientar as estratégias do Programa Nacional de Imunizações (PNI). A nova vacina é tetravalente, ou seja, oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue, o que amplia o potencial de prevenção da doença.

Neste primeiro momento, a campanha contempla profissionais de saúde que atuam diretamente na assistência e na prevenção, como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, odontólogos, integrantes das equipes multiprofissionais (eMulti), além de agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE). Também foram incluídos trabalhadores administrativos e de apoio das unidades de saúde, como recepcionistas, seguranças, profissionais da limpeza, motoristas de ambulância, cozinheiros e demais funcionários que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

A priorização desses grupos leva em consideração a maior exposição ao vírus e o papel estratégico desses profissionais no enfrentamento das arboviroses. Ao proteger quem está na linha de frente do atendimento, o Ministério da Saúde busca reduzir afastamentos por adoecimento, manter a capacidade de resposta do sistema público.

A dengue é uma das principais preocupações sanitárias do país, com circulação simultânea dos quatro sorotipos e risco de formas graves da doença. A expectativa do governo é que, com o aumento gradual da produção e a ampliação da cobertura vacinal, seja possível reduzir internações e óbitos nos próximos anos, aliando a vacinação às medidas tradicionais de controle do mosquito.