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Recife rejeita impeachment de João Campos

A Câmara Municipal do Recife rejeitou, na segunda-feira (3), a abertura de um processo de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). A denúncia foi arquivada ainda na fase inicial, após votação em plenário que resultou em 25 votos contrários, nove favoráveis e uma abstenção, número insuficiente para autorizar a tramitação do pedido.

O pedido de impeachment foi apresentado pelo vereador Eduardo Moura (Novo) e apontava suposta prática de crime de responsabilidade e infração político-administrativa. A acusação teve como base a nomeação de um candidato aprovado em concurso público para o cargo de procurador do município, reclassificado na lista destinada a pessoas com deficiência, o que, segundo o autor da denúncia, teria violado as regras do edital.

Durante a sessão, vereadores da base governista sustentaram que a gestão municipal agiu dentro da legalidade e que não houve favorecimento indevido. O líder do governo na Casa, Samuel Salazar (MDB), afirmou que a denúncia carecia de fundamentos jurídicos e classificou a iniciativa como tentativa de desgastar politicamente o prefeito.

Clima tenso

A votação ocorreu em meio a um clima de tensão no plenário. As galerias foram ocupadas por apoiadores e opositores de João Campos, com registros de vaias, palavras de ordem e protestos. A segurança foi reforçada com a presença da Guarda Municipal e da Polícia Militar para evitar confrontos.

Parlamentares que defenderam a abertura do processo argumentaram que o Legislativo tinha a obrigação de apurar os fatos. Já os vereadores contrários ao impeachment ressaltaram que eventuais questionamentos administrativos devem ser analisados pelo Judiciário, e não utilizados como instrumento de disputa política.

Com a decisão, o pedido foi definitivamente arquivado. João Campos segue no comando da Prefeitura do Recife, enquanto o episódio expõe o acirramento do ambiente político na capital pernambucana e antecipa embates que devem marcar o cenário eleitoral.

A denúncia também gerou reação do Executivo municipal, que divulgou nota reforçando que o procedimento adotado no concurso seguiu pareceres técnicos e decisões judiciais anteriores sobre a política de cotas. Segundo a Prefeitura, o caso já havia sido analisado por órgãos de controle e não configuraria irregularidade administrativa. A oposição, por sua vez, afirmou que continuará acompanhando o tema e cobrando esclarecimentos da gestão. O debate deve seguir no Legislativo nos próximos meses.