Quatro estudantes do município de Barra da Estiva, no sudoeste baiano, estão transformando a paixão pelo esporte e pela ciência em uma proposta inovadora de empreendedorismo. Praticantes de ciclismo e musculação, Beatriz Ramos, Lara Laviny, Sany Teixeira e Sheila Sabrina desenvolveram um pré-treino natural à base de beterraba, pensado como alternativa saudável aos suplementos industrializados mais comuns no mercado fitness.
Alunas do Colégio Estadual de Tempo Integral Professora Ana Lúcia Aguiar Viana, as jovens contaram com a orientação dos professores José Paulo Rocha e Joelma Santos para estruturar o projeto, que une pesquisa científica, sustentabilidade e incentivo à produção local. A ideia surgiu a partir da própria rotina de treinos das estudantes e da busca por um produto que oferecesse energia e melhor desempenho físico sem o uso de substâncias estimulantes artificiais.
Segundo as criadoras, o pré-treino é produzido a partir da farinha de beterraba, vegetal conhecido cientificamente como Beta vulgaris e amplamente estudado por seus benefícios à circulação sanguínea, à saúde cardiovascular e ao aumento da resistência física. "Nosso produto é totalmente orgânico e não possui cafeína nem taurina, substâncias que podem causar alterações no sistema nervoso e cardiovascular", explica Lara Laviny. A proposta, segundo ela, é oferecer um suplemento funcional que respeite o corpo e possa ser consumido por diferentes perfis de praticantes de atividade física.
O potencial de mercado também chamou a atenção das estudantes. De acordo com levantamento da consultoria Future Market, o mercado global de suplementos pré-treino foi avaliado em US$ 21,7 bilhões em 2025, com projeção de alcançar US$ 44,7 bilhões até 2035. Diante desse cenário, o grupo já vislumbra a possibilidade de transformar o projeto em negócio. "Acreditamos que nosso pré-treino natural tem espaço no mercado por ser uma opção funcional e mais saudável. Pensamos, futuramente, em buscar o patenteamento da fórmula para proteger a criação e empreender", afirma Beatriz Ramos.
Outro diferencial do projeto é o vínculo com agricultores familiares da região, responsáveis pelo cultivo da beterraba utilizada na produção. A parceria fortalece a economia local e reforça o compromisso das estudantes com práticas sustentáveis, desde a origem da matéria-prima até a divulgação do produto. Para elas, o contato com produtores locais amplia o impacto social da iniciativa e aproxima a ciência do cotidiano da comunidade.
O trabalho ganhou destaque durante o Encontro Estudantil promovido pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), realizado na Arena Fonte Nova, em Salvador.
A visibilidade ajudou a impulsionar o projeto e a motivar as jovens pesquisadoras. "Ver a ciência acontecendo na prática é muito gratificante. Projetos como esse mostram que nós, jovens, somos capazes de pesquisar, criar e desenvolver soluções inovadoras para problemas reais", destaca Sheila Sabrina.
A iniciativa integra o espírito do projeto "Bahia Faz Ciência", da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), que desde 2019 divulga pesquisas e experiências desenvolvidas por cientistas e estudantes baianos com impacto direto na qualidade de vida da população. As reportagens são publicadas semanalmente e buscam valorizar ações nas áreas de saúde, educação, inovação e desenvolvimento social.
Para as quatro amigas de Barra da Estiva, o pré-treino natural vai além de um produto: representa a possibilidade de unir conhecimento, saúde, sustentabilidade e empreendedorismo, mostrando que a ciência também nasce nas escolas públicas e pode transformar realidades locais.