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Piauí terá primeiras Unidades Básicas de Saúde em aldeias

A implantação das primeiras Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) no Piauí vai ampliar de forma significativa o acesso à atenção primária em saúde para comunidades indígenas que vivem no estado. A iniciativa é do Ministério da Saúde e prevê a construção de quatro unidades em aldeias piauienses a partir de 2026, com investimento que integra um montante superior a R$ 2,1 milhões, destinado também ao Rio Grande do Norte, como parte da estratégia nacional de fortalecimento da política de saúde indígena no Nordeste brasileiro.

As UBSI serão construídas nas aldeias Serra Grande, no município de Queimada Nova; Canto da Várzea, em Piripiri; Sangue, em Uruçuí; e Santa Teresa, também em Uruçuí. Esta será a primeira vez que estruturas permanentes voltadas exclusivamente para a saúde indígena serão implantadas em um estado que não possui Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI). Até então, o atendimento às populações indígenas piauienses era realizado de forma pontual, por meio de ações itinerantes ou parcerias interinstitucionais, o que limitava a continuidade do cuidado e o acompanhamento sistemático das famílias.

Para viabilizar o atendimento e garantir a organização das ações de saúde, a Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde estruturou o DSEI Ceará, que ficará responsável pela coordenação das equipes multiprofissionais, pelo planejamento das ações assistenciais e pela execução das políticas públicas voltadas às comunidades indígenas do Piauí. A medida assegura que essas populações passem a ser incluídas de forma permanente na rede de atenção à saúde indígena, respeitando diretrizes específicas e protocolos diferenciados.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 4,1 mil indígenas vivem atualmente em dez municípios do Piauí. Entre as etnias presentes no estado estão Tabajara, Caboclo Gamela, Kariri, Caboclo da Prata, Akroá Gamela, Guegué de Sangue e Tapuios. Essas comunidades estão distribuídas em diferentes territórios e apresentam realidades socioculturais distintas, o que reforça a necessidade de políticas públicas sensíveis às suas especificidades históricas, culturais e territoriais.

A construção das UBSI tem como objetivo atender a essas particularidades, assegurando uma atenção à saúde diferenciada, integral e respeitosa aos modos de vida tradicionais. As unidades serão estruturadas para oferecer serviços de atenção primária, como consultas, acompanhamento de gestantes, vacinação, ações de promoção da saúde, prevenção de doenças e vigilância em saúde, integrando saberes tradicionais e práticas da medicina ocidental.

Segundo o secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, levar atendimento estruturado a estados que ainda não contam com DSEI representa um compromisso institucional com povos historicamente invisibilizados pelas políticas públicas.

Ele destaca que a iniciativa consolida o direito dessas comunidades à saúde indígena integral e diferenciada, além de representar uma reparação histórica por parte do Estado brasileiro, ao reconhecer as demandas específicas desses povos e garantir presença permanente do poder público em seus territórios.

Ações geras

O planejamento para a implantação da rede de atenção à saúde indígena no Piauí teve início em 2024, com o cadastramento das famílias em todas as aldeias que serão atendidas.Em 2025, foram contratados profissionais de saúde exclusivos para atuação nessas regiões, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos, agentes indígenas de saúde e equipes de apoio.

Para 2026, além da construção das UBSI, estão previstas ações voltadas à logística, ao transporte e à infraestrutura, com o objetivo de garantir o funcionamento pleno dos serviços, a continuidade do atendimento e a ampliação gradual da assistência às comunidades indígenas de todo o estado.