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Olhar sobre matriz africana em Alagoas

O Museu da Imagem e do Som de Alagoas (Misa), recebe, entre os dias 19 e 30 de janeiro, a exposição "Encruzilhada - Um encontro com o povo da rua", da fotógrafa Carolina Thalassa, com curadoria de Dayane Fidelis.

A abertura acontece na segunda-feira (19), em Maceió.

A exposição propõe um mergulho sensível e respeitoso no universo de Exú, Pombagira e Mestres da Jurema, entidades fundamentais das religiões de matriz africana, frequentemente cercadas por estigmas e preconceitos.

Por meio da fotografia, "Encruzilhada" revela essas figuras como forças de movimento, transformação e equilíbrio, guardiãs dos caminhos e dos encontros entre o mundo material e o espiritual.

Romper estigmas

Segundo a fotógrafa Carolina Thalassa, o projeto nasce do desejo de romper estigmas e registrar a espiritualidade a partir do respeito e da vivência nos terreiros.

"Meu objetivo com a exposição é provocar um atravessamento. A encruzilhada simboliza escolhas, encontros e caminhos, e é exatamente isso que essas entidades representam. Fotografar Exú, Pombagira e os Mestres da Jurema é reconhecer a potência espiritual, cultural e ancestral que existe nos terreiros e que resiste ao tempo, apesar do preconceito", destaca a artista.

Com imagens que transitam entre o sagrado e o profano, a exposição convida o público a refletir sobre ancestralidade, identidade, memória coletiva e pertencimento, unindo arte, espiritualidade e território.

A curadoria de Dayane Fidelis contribui para construir uma narrativa visual que valoriza os saberes tradicionais e as expressões contemporâneas das culturas afro-brasileiras.

A secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa, Mellina Freitas, ressalta que a mostra dialoga diretamente com as diretrizes das políticas culturais desenvolvidas pelo Governo de Alagoas.

"A exposição consolida as ações do governo do estado voltadas à valorização da diversidade cultural e dos saberes ancestrais. Por meio da Secult, seguimos com ações que democratizam o acesso à cultura, reconhecem narrativas historicamente marginalizadas e ampliam o papel dos nossos equipamentos culturais como espaços de reflexão, respeito e construção de identidade", afirma.

Para a supervisora do Museu da Imagem e do Som de Alagoas, Jinny Mikaelly, receber a exposição reitera a vocação do Misa para a difusão e preservação cultural. "O Misa se consolida como um lugar de encontro entre memória, arte e diversidade. 'Encruzilhada' amplia esse diálogo ao trazer uma temática profunda, necessária e potente".