A Escola Estadual Anália Tenório, localizada em Olho D'Água Grande, foi destaque em edição especial da revista Exame que aborda o ensino integral no Brasil.
A instituição é a representante alagoana entre 22 escolas brasileiras que relatam uma experiência positiva com a modalidade para a publicação intitulada "Educação Integral. Impacto Real".
Esta edição especial é uma parceria entre a Exame, o Instituto de Corresponsabilidade pela Educação (ICE) e o Instituto Natura.
Recém-nomeada para seu segundo mandato na 9ª Gerência Especial de Educação (GEE), Maria Cristina Bóia foi gestora por dois mandatos da instituição - quando, na ocasião, a escola também foi um dos destaques do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) na região de Penedo e adjacências - e também ex-aluna.
Transformação
Em seu depoimento para a Exame, Cristina conta que a instituição transformou a realidade educacional do município, oferecendo aos jovens oportunidades que, até pouco tempo atrás, não existiam na região.
"Ver a escola onde estudei sendo reconhecida nacionalmente é uma emoção que quase não cabe em palavras. É a soma do orgulho com a felicidade de perceber que este trabalho tem impacto real na vida dos jovens", contou Araújo.
Cristina iniciou sua carreira como professora concursada em 1999 e foi gestora da Anália Tenório por duas ocasiões.
Foi durante sua gestão que a escola implantou o modelo de ensino integral. Para conduzir o processo, ela buscou formação específica oferecida pela 9ªGEE e pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), além de estudo aprofundado dos documentos orientadores do ensino integral.
Ela relata que, na Anália Tenório, a equipe docente é selecionada considerando competências, afinidades e experiências, o que garante que os professores atuem de maneira alinhada aos itinerários formativos e aos projetos da escola.
Além disso, os docentes têm autonomia para criar projetos autorais, promover atividades extracurriculares e desenvolver experiências pedagógicas inovadoras.
Essa prática fortalece o protagonismo estudantil e estimula a criatividade, além de consolidar um vínculo sólido entre professores, alunos e famílias.
Comportamento
Segundo Cristina, desde a implantação do modelo integral, a escola tem registrado mudanças significativas no comportamento e no desempenho dos estudantes.
O acompanhamento individualizado permite identificar necessidades específicas, oferecer suporte acadêmico e emocional e estimular o engajamento dos alunos em atividades extracurriculares.
A permanência ampliada na escola também contribuiu para reduzir a evasão escolar e diminuir índices de gravidez na adolescência, mostrando que o impacto do tempo integral vai além do aprendizado formal.
Entre os projetos marcantes do tempo integral na escola estão os do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), como "Matemática em Movimento" e "Rumo à Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA)", que aproximam a ciência do cotidiano e o "Nomeio, Logo Habito", voltado à toponímia local.
A escola também se fez presente em dois eventos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal): em 2024, foi premiada com dois projetos na Semana de Pesquisa, Tecnologia e Inovação na Educação Básica (Sinpete) e, em 2025, integrou a coleção Sinpete com os livros dos projetos após um ano de mentoria e lançados na última na Bienal Internacional do Livro 2025.