O fungo Candidozyma auris, antes conhecido como Candida auris, foi identificado pela primeira vez em 2009 e rapidamente despertou preocupação mundial. O fungo causa infecções graves, difíceis de tratar e controlar, representando uma ameaça especialmente para pacientes hospitalizados. No Brasil, os primeiros registros de infecção ocorreram na Bahia, em dezembro de 2020. Desde então, os surtos têm aumentado e se espalhado para outros estados.
A capacidade de sobreviver, por longos períodos, no ambiente hospitalar, aderindo a superfícies e equipamentos, faz do Candidozyma auris um inimigo particularmente desafiador. A taxa de mortalidade pela ação do fungo pode chegar a 50%, dependendo do tipo de infecção.
O superfungo pode apresentar resistência a diferentes classes de antifúngicos, medicamentos essenciais no combate às infecções provocadas por fungos. Por isso, ele é classificado como prioritário e crítico pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo pesquisas conduzidas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o uso de agrotóxicos pode contribuir para o aumento da resistência aos medicamentos utilizados no tratamento de infecções fúngicas. Integrante do Programa de Pós-Graduação em Biologia Parasitária da UFRN e vice-coordenador do Grupo de Estudo e Ações em Saúde Única, Rafael Wesley Bastos, investiga também como o uso de agrotóxicos pode estar contribuindo para o aumento da resistência aos medicamentos utilizados no tratamento de infecções fúngicas.
Segundo o pesquisador, embora o fungo seja famoso principalmente como um "superfungo" perigoso em hospitais, porque é resistente a vários antifúngicos e causa infecções graves em pacientes, ele não é exclusivo do ambiente hospitalar.
Para Rafael, "se o fungo se torna capaz de resistir ao agrotóxico, ele pode acabar se tornando resistente também aos remédios usados na medicina humana".
Os estudos do professor e pesquisador foram destaque no Encontro da Rede Brasileira de Resistência Antifúngica em Aspergillus fumigatus - Protegendo a Saúde diante das Pressões Agrícolas, realizado na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (SP).
O pesquisador apresentou dados que reforçam uma correlação entre o uso de agrotóxicos e o surgimento de fungos mais resistentes. Inicialmente, os pesquisadores demonstraram que 94% dos isolados de Candidozyma auris obtidos de pacientes e resistentes ao medicamento fluconazol também apresentavam resistência ao agrotóxico tebuconazol, amplamente utilizado na agricultura.