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João Campos sofre pedido de impeachment após concurso

Da Redação

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), tornou-se alvo de um pedido de impeachment após a modificação do resultado de um concurso público para procurador municipal.

O pedido foi protocolado pelo vereador Eduardo Moura (Novo). A mudança no resultado teria beneficiado a filha de uma procuradora do Ministério Público de Contas (MPCO) e de um juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

No concurso, havia sido inicialmente aprovado um advogado nas vagas destinadas a pessoas com deficiência (PCD). Mas ele acabou deixando de ser nomeado depois que uma pessoa mais bem classificada, mas que não tinha antes optado pelas vagas afirmativas, pediu reinscrição dois anos depois da inscrição, após ser diagnosticado com autismo.

Após a repercussão do caso, o prefeito voltou atrás e nomeou o advogado inicialmente aprovado e tomou posse no cargo. O que não impediu que fosse protocolado o pedido de impeachment pelo caso.

"Uso político"

Em nota, a prefeitura do Recife afirmou que o caso se tratava de "controvérsia meramente jurídica" e que condenava "veementemente qualquer tentativa de exploração ou uso político de dois candidatos PCDs".

O concurso aconteceu em 2022. E o advogado Marko Venício dos Santos Batista foi o único candidato aprovado para a vaga de pessoa com deficiência. Em junho de 2023, o resultado foi homologado e restava apenas a posse do candidato aprovado.

Lucas Vieira da Silva havia se inscrito nas vagas gerais, e obtivera o 63º lugar. Ele é filho do juiz Rildo Vieira da Silva, da Vara dos Crimes contra a Administração Pública, e da procuradora Maria Nilda Silva, do MPCO, que atua junto ao Tribunal de Contas do Estado.

Em maio de 2025, Lucas foi dianosticado com o espectro autista, e pediu a reinscrição no concurso. Três procuradores se opuseram à inscrição. Mas, mesmo assim, ela foi aceita pelo procurador-geral do Recife, Pedro Pontes, que ocupa o cargo por indicação do prefeito.

A nova classificação foi homologada no dia 20 de dezembro de 2025. No dia 23, João Campos nomeou Lucas para o cargo.

Diante da repercussão, porém, Campos publicou nova decisão no último dia do ano, 31 de dezembro, desfazendo a nomeação.

Impeachment

Isso não impediu, porém, que o vereador apresentasse o pedido de impeachment. Na quarta-feira (7), João Campos classificou o pedido como "oportunismo político".

"Chega ano eleitoral, nossos nomes aparecem de forma importante nas pesquisas, e algumas pessoas acham que vale o jogo do vale-tudo", reagiu Campos. "Não é assim. Vamos tratar com respeito, fazendo as coisas como devem ser feitas".

Pesquisas

Eleito prefeito em 2024 no primeiro turno, João Campos é agora candidato a governador de Pernambuco. E as pesquisas têm indicado a chance de que ele novamente vença no primeiro turno. Levantamento do Paraná Pesquisas de 22 de dezembro indicou João Campos com 53,1% das intenções de voto, 20 pontos percentuais à frente da governadora Raquel Lira (PSD), que tentará a reeleição. Ela aparece com 31%.

Eduardo Moura, que apresentou o pedido de impeachment, foi também um dos nomes testados para o governo. E obteve somente 3,9%, em terceiro lugar.

Não atende

Em nota divulgada na quarta-feira, a Câmara Legislativa do Recife informou que o pedido de impeachment não atenderia às exigências legais.

O pedido, diz a nota, não atenderia ao previsto na Lei Orgânica do Município quanto às responsabilidades do prefeito no caso.

De qualquer modo, a nota afirma que a Procuradoria da Câmara está analisando o pedido para definir se ele irá tramitar ou ser arquivado.

Moura, porém, rebate a nota, e afirma que o pedido já teria sido aceito pelo presidente da Câmara, Romerinho Jatobá (PSB) e que, no momento, só estaria ocorrendo uma revisão ortográfica para verificar se há termos que precisariam ser trocados ou não. A controvérsia permanece.