O número de registros de pessoas desaparecidas voltou a crescer no Brasil e atingiu, em 2024, o maior patamar desde 2018. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2024 foram 81 mil casos notificados às Polícias Civis em todo o país, um aumento de 4,9% em relação ao ano anterior.
Após a queda observada em 2020 e 2021, durante a pandemia de Covid-19, os registros retomaram a tendência de alta. As estatísticas indicam que, em média, quatro desaparecimentos foram comunicados por hora às autoridades policiais ao longo do último ano.
A análise regional mostra que o crescimento não ocorreu de forma uniforme. Entre 2018 e 2024, as regiões Nordeste e Norte apresentaram as maiores variações, com aumentos de 41,4% e 31%, respectivamente. O Mapa dos Desaparecidos no Brasil, elaborado pelo Fórum, revela ainda um perfil recorrente das pessoas desaparecidas no país: a maioria é composta por homens (62,8%), adolescentes e jovens (53,5%) e pessoas negras (54,3%).
Ainda segundo o Fórum, os desaparecimentos ocorrem com maior frequência entre sexta-feira e domingo, padrão semelhante ao observado entre vítimas de homicídio. Diante desse cenário, o trabalho de identificação humana tem papel central na resposta do poder público.
A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) registrou o maior número de identificações de pessoas desaparecidas do país, em valores absolutos, por meio do banco de perfis genéticos. O resultado consta em levantamento divulgado em novembro pela Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG), vinculada ao Ministério da Justiça e formada por 22 laboratórios forenses de 22 estados, consolidando o Ceará como referência nacional na área.
O desempenho é atribuído à atuação do Núcleo de Perícia em DNA Forense (NUPDF), que integra a Coordenadoria de Análises Laboratoriais Forenses e a própria RIBPG. O núcleo realiza identificações a partir do cruzamento genético entre familiares de pessoas desaparecidas, restos mortais sem identificação e pessoas vivas não identificadas.
Esse trabalho é fortalecido por campanhas permanentes de coleta de material genético, ações de divulgação e pelo aprimoramento contínuo dos fluxos operacionais.
Entre outubro de 2024 e outubro de 2025, foram registradas 28 identificações por meio do cruzamento genético entre familiares de desaparecidos e restos mortais não identificados. Além disso, nove correspondências ocorreram a partir da comparação entre perfis genéticos de restos mortais e de indivíduos condenados.
O impacto social desse trabalho vai além dos números. A identificação de pessoas desaparecidas contribui para reduzir a angústia das famílias, garantir o direito à identidade, possibilitar o encerramento de ciclos de incerteza, assegurar a dignidade do luto e fortalecer a justiça e a segurança pública.
A solidez do banco de dados, a integração entre os órgãos envolvidos e a agilidade no processamento das informações têm ampliado a capacidade de resposta do Estado às demandas da sociedade cearense e nacional.