Durante uma entrevista recente, o músico e integrante do movimento de bandas marciais Alexandre Luiz detalhou as complexas nomenclaturas, categorias e o papel cultural desses grupos no Brasil, destacando a evolução que ultrapassou os tradicionais desfiles cívicos para se tornar uma expressão artística e social significativa. As corporações — que incluem bandas marciais, musicais, de percussão e as tradicionais fanfarras — ganharam contornos cada vez mais amplos, com apresentações que mesclam música instrumental e corpos coreográficos, transformando cada exibição em um verdadeiro espetáculo visual e sonoro.
Na explicação de Alexandre, as diferenças entre as formações são claras: enquanto as fanfarras simples utilizam principalmente instrumentos de percussão e algumas cornetas, já as bandas marciais e musicais incorporam uma gama mais ampla de instrumentos de sopro e percussão, permitindo a execução de um repertório mais diversificado e sofisticado.
Mais do que manifestações artísticas, essas corporações são hoje entendidas como importantes ferramentas de inclusão social e cidadania, sobretudo em contextos educacionais e comunitários. Segundo Alexandre, a integração entre música, disciplina e convivência coletiva é fundamental para o desenvolvimento de jovens, oferecendo um ambiente estruturado de aprendizado e pertencimento. Ele compartilha relatos emocionantes de transformação pessoal, em que a banda atuou como uma espécie de família para participantes, auxiliando na socialização de jovens com autismo e TDAH e no combate à discriminação social. Para muitos, estar na banda significa aprender compromisso com horários, respeito ao próximo e disciplina, valores que, segundo ele, se refletem diretamente no desempenho escolar e na autoestima dos integrantes.
Esse impacto social é reconhecido em diferentes estados brasileiros. Em Sergipe, por exemplo, cerca de 165 bandas marciais e fanfarras mantêm uma agenda ativa de apresentações nas escolas públicas, onde a interação coletiva e o espírito cívico reforçam a inclusão e o protagonismo juvenil.
Investimentos
O incentivo governamental também se materializa em investimentos significativos em equipamentos: neste ano, foram destinados mais de R$ 4,6 milhões em instrumentos para bandas marciais e fanfarras escolares no estado, com o objetivo de ampliar o acesso e melhorar a qualidade das apresentações.
A valorização do segmento também passa pelo reconhecimento cultural. Na Bahia, por exemplo, há um movimento para que bandas marciais e fanfarras sejam registradas como patrimônio cultural imaterial, reforçando seu papel como manifestação popular, expressão artística e instrumento de formação cidadã em diversas comunidades.
Para Alexandre Luiz, o movimento é, acima de tudo, um espaço de formação integral, que alia música, cidadania e educação, contribuindo para a construção de uma sociedade mais inclusiva e colaborativa.