Entre bilros e belezas naturais, Raposa, um dos quatro municípios da Grande Ilha de São Luís, celebra sua tradição e revela o talento das mulheres que bordam a história do Maranhão. Na quarta-feira (17), foi comemorado o Dia Municipal das Rendeiras da Raposa, uma marca cultural que se tornou patrimônio e orgulho estadual.
A poucos quilômetros da capital maranhense, a cidade encanta com paisagens paradisíacas, culinária marcante e o som ritmado dos bilros, que há quase oito décadas transformam fios em arte. São cerca de 28 quilômetros da capital pela MA-203, em aproximadamente 40 minutos de carro. Logo na chegada, a brisa litorânea e o colorido das rendas no tradicional Corredor das Rendeiras recebem visitantes com o melhor do artesanato local.
Mais do que um simples ofício, a renda de bilro é símbolo de identidade, sustento e história da Raposa. Nas mãos das artesãs, o "toc-toc" dos bilros transforma-se em música, e cada ponto bordado carrega séculos de tradição, transmitida de mãe para filha. As peças — roupas, toalhas, sousplats, caminhos de mesa e adornos — refletem não apenas delicadeza, mas também a força das mulheres que mantêm viva essa herança cultural maranhense.
O legado ganhou novo fôlego com o reconhecimento oficial do Governo do Estado. Em 2024, foram sancionadas duas leis históricas: a Lei nº 12.262/2024, que declara Raposa como Terra do Artesanato Renda de Bilro, e a Lei nº 12.242/2024, que eleva a renda de bilro à condição de Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Maranhão.
A secretária de Estado do Turismo, Socorro Araújo, afirma que o apoio institucional se traduz em oportunidades reais. "Apoiar os profissionais do artesanato e as rendeiras é prioridade. Garantimos participação em feiras nacionais, ampliando a comercialização dos produtos e conquistando novos mercados. Esse apoio é fundamental para que a renda de bilro continue viva, gerando renda e fortalecendo a cultura", destacou.
A história das rendeiras se entrelaça com a criação da Associação das Rendeiras da Praia da Raposa, fundada em 1980 por mulheres que decidiram comercializar diretamente suas produções. Atualmente, cerca de 50 mulheres produzem diariamente no espaço.
"Quando termino uma peça e vejo a satisfação do cliente, sinto que todo esforço valeu a pena. A associação nasceu da coragem de mulheres que não aceitaram a desvalorização e permanece viva até hoje, como prova da nossa força e união", afirma Marilene Marques, presidente da Associação e filha de uma das pioneiras.
O Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão também é uma vitrine para as peças da Raposa. Lá, visitantes podem adquirir produtos originais das rendeiras, valorizando o trabalho manual e levando um pouco da cultura.
"O Ceprama abriu portas para que nossas peças alcancem um público maior e valorizem ainda mais nossa arte. Com apoio do Estado, participamos de feiras como a Fenearte e o Salão do Artesanato, conquistando novos mercados", destaca a artesã Maria Celeste.
Em 2025, a participação das rendeiras em grandes eventos resultou na comercialização de 477 peças e na geração de R$ 42.328,00, beneficiando diretamente 33 artesãs e outras 26 pessoas de suas famílias e comunidades.
Para a coordenadora estadual do Programa do Artesanato Brasileiro, Liliane Castro, "as rendeiras da Raposa não são apenas guardiãs de uma técnica artesanal: são artistas, profissionais e símbolos de resistência cultural. Com políticas públicas e reconhecimento da sociedade, a renda de bilro segue firme, perpetuando uma tradição que é patrimônio e orgulho do Maranhão".
Além do artesanato, Raposa encanta com suas paisagens, conhecidas como "fronhas maranhenses", dunas e lagoas que lembram os Lençóis Maranhenses. Passeios partem diariamente da praia de Raposa em lanchas ou catamarãs, com duração média de uma hora, incluindo paradas para banho, fotos e degustação de petiscos típicos.
A culinária local também é destaque, com peixe frito, torta de camarão e o famoso arroz de cuxá servidos à beira-mar. Visitar Raposa é viver uma experiência completa: apreciar a natureza, saborear a gastronomia maranhense e levar na bagagem uma peça artesanal.