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"Música nas Incubadoras - Acalantos Indígenas"

Na cultura indígena, os acalantos carregam significados além de simples melodias de ninar. Transmitem histórias e saberes ancestrais, mensagens sobre o ambiente natural, tradições, espíritos e valores da comunidade. São passados de geração em geração, reforçando a conexão das crianças e seus pais e mães.

No próximo dia 30 de abril, às 19h, o Departamento de Música da Universidade de Brasília (UnB) recebe a conferência-debate "Música nas Incubadoras - Acalantos Indígenas", com a presença de sua idealizadora: a cantora, compositora, musicoterapeuta e multi-instrumentista Fernanda Cabral. O evento marca o lançamento de página web, minidocumentários e EP musical com acalantos Kamaiurá com a participação especial da Pajé Mapulu Kamayurá.

A partir da provocação de Jawi Kamaiurá, diretora artística do projeto, Fernanda Cabral levou os acalantos às unidades neonatais do HMIB - Hospital Materno Infantil de Brasília e do HRL - Hospital da Região Leste do Paranoá, nos meses de outubro e novembro de 2025.

Os Acalantos Indígenas

Os "micro-concertos" têm como objetivo reafirmar o vínculo emocional com os progenitores por meio da experiência musical e favorecer a recuperação fisiológica. Neste caso, o estímulo partir de repertório indígena, especialmente para um público em situação de vulnerabilidade, redimensiona o papel da obra artística. Em tal situação, o acesso à cultura indígena está ligado à construção de um novo olhar sobre o poder da obra. A arte aqui ocupa o espaço de uma forma particular: leva conhecimento de uma cultura ancestral, reafirmando valores sobre a sua relação com a natureza e seus sons, enriquecendo o imaginário poético-musical e contribuindo para a desenvolvimento emocional, psíquico e fisiológico dos que com ela fruem.

O encontro da artista Fernanda Cabral com as mães e seus bebês prematuros através dos "Acalantos Indígenas" foi uma experiência reveladora, aponta Fernanda: "Os acalantos indígenas Kamaiurá aparecem no projeto Música nas Incubadoras como fruto do desejo de fortalecer a reconexão das mães com seus bebês, nesse contexto de tanta vulnerabilidade: onde ambos pudessem se sentir mais perto da natureza, mais perto da força dos nossos povos originários, da nossa própria ancestralidade e de sua herança musical."

SERVIÇOS

Departamento de Música da UnB

Dia e horário: 30 de abril

Entrada: gratuita