Por: Mayariane Castro

Livro registra o desafio da educação na pandemia

Fotos expressam os sentimentos em tempos de escolas vazias | Foto: Zelu

O livro de fotografias “Escola em Casa: Sentimentos Presenciais”, da artista Zélú, será lançado no dia 13 de março no Espaço Cultural Renato Russo, em Brasília.

O projeto inclui uma exposição com 11 imagens, em cartaz de 5 a 13 de março no mezanino do espaço cultural. A iniciativa foi realizada com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.

Publicado pela Editora Mercurio, o livro reúne 80 fotografias produzidas entre 2020 e 2025 em escolas e universidades públicas das cinco regiões do país. O trabalho começou durante o período de suspensão das aulas presenciais em razão da pandemia de Covid-19 e se estendeu ao retorno das atividades nas instituições de ensino.

O que estão sentindo?

A proposta do projeto partiu da pergunta “O que vocês estão sentindo hoje?”, direcionada a estudantes e professores ao longo do processo de criação. A partir das respostas, que incluíram relatos de tédio, medo, sono, incerteza e expectativa, a fotógrafa desenvolveu uma série de imagens que articulam registro documental e encenação. As fotografias abordam experiências vividas pela comunidade escolar durante o ensino remoto e a retomada das aulas presenciais.

Entre 2020 e 2025, Zélú percorreu instituições públicas em diferentes estados. Com câmera e caderno, registrou cenas construídas em diálogo com estudantes e docentes. As imagens incluem carteiras empilhadas, corpos em performance e gestos que remetem ao cansaço e à reorganização do cotidiano escolar. O trabalho combina fotografia e intervenção performática para tratar das transformações no ambiente educacional durante o período.

Sentimentos presenciais

Com o retorno das aulas presenciais, a artista criou o “caderno de sentimentos presenciais”, que circulou por turmas em cidades como Belém, Brasília, Contagem, Fortaleza, Guarulhos, Porto Alegre, Salvador e São Paulo. O material reuniu relatos escritos por estudantes sobre experiências relacionadas à pandemia e a temas do cotidiano escolar. Entre os assuntos mencionados estão transfobia, assédio, aborto, governo e o Sistema Único de Saúde (SUS).

Os textos do caderno passaram a integrar o projeto e contribuíram para a edição do livro. A publicação articula fotografias e fragmentos de escrita produzidos ao longo da circulação. Segundo a autora, a intenção é reunir registros que documentem a vivência da educação pública no período e componham uma memória coletiva sobre o tema.

A exposição apresenta parte do material publicado. A curadoria é de Bruna Paz, historiadora e arte-educadora, que também conduz a palestra “Educar em Meio à Crise: Arte e escola na pós-pandemia” no dia do lançamento, das 19h às 21h, na Praça Central do Espaço Cultural Renato Russo. A mostra pode ser visitada de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 10h às 20h.

O projeto articula fotografia, performance e escrita coletiva como formas de registro da experiência educacional durante a crise sanitária. A produção foi viabilizada por meio de edital público de fomento à cultura no Distrito Federal. A iniciativa integra ações voltadas à difusão artística e à reflexão sobre políticas públicas de educação.

Zélú desenvolveu o trabalho ao longo de cinco anos, acompanhando mudanças no funcionamento das escolas e universidades públicas. O período contemplado pelo projeto abrange o ensino remoto emergencial, as adaptações para atividades híbridas e o retorno integral às aulas presenciais. A circulação pelas instituições resultou em um acervo que documenta práticas pedagógicas, reorganização de espaços e manifestações de estudantes.

A proposta do livro e da exposição é registrar o impacto da pandemia na educação pública brasileira a partir da escuta de estudantes e professores. Ao transformar relatos em imagens e publicação impressa, o projeto busca consolidar um conjunto de memórias produzidas no ambiente escolar entre 2020 e 2025. O lançamento e a mostra são abertos ao público. A programação marca a conclusão de uma etapa do trabalho iniciado durante a pandemia e amplia o acesso ao conteúdo produzido nas escolas e universidades visitadas pela artista ao longo do período.