Por:

Curta do DF retrata encontro de gerações

Reynaldo Rodrigues

A Odara Filmes realizou, até a última semana, as filmagens de "Tenho Você em Mim", novo curta escrito e dirigido pelo professor e diretor Alex Vidigal. Rodado em Brasília, com locações em regiões como Sobradinho, no Conic, Memorial dos Povos Indígenas e Torre de TV Digital, o projeto é viabilizado pelo Fundo de Apoio à Cultura do DF e tem estreia prevista em festivais no início de 2027.

Uma história de encontros

O filme acompanha uma adolescente introspectiva, vivida por Elaine Amaro, cuja rotina de tutoriais de maquiagem e ensaios de dança solitária é transformada pela chegada da avó, interpretada por Terezinha. Vinda do Norte com sua rede de dormir e um jabuti de estimação, a matriarca introduz um tempo mais antigo na vida da neta. O estranhamento inicial dá lugar a uma aproximação silenciosa, marcada por gestos mínimos e afetos em construção.

O ponto de virada surge quando um canto ancestral da avó é remixado em música eletrônica pelo amigo da jovem. Da fusão improvável nasce uma nova dança — e, com ela, a percepção de que tradição e contemporaneidade não competem, mas se atravessam. O conflito geracional se dissolve em ritmo, memória e descoberta de identidade.

Encontro de gerações

A narrativa privilegia o protagonismo feminino dentro e fora da tela. A convivência entre mulheres de diferentes idades ecoa na equipe liderada por Emilia Silberstein, na direção de fotografia, e Helena Dupin, na produção executiva. Segundo Vidigal, o projeto nasce de uma energia criativa compartilhada e de um olhar que valoriza ancestralidade e pertencimento.

Visualmente, o curta aposta no contraste entre o cotidiano contido, de cores pálidas e enquadramentos estáticos, e os momentos de transe musical, que explodem em tonalidades vibrantes e atmosfera onírica. A direção de arte de Daniel Banda e Katia Ortiz amplia essa dualidade, transformando espaços íntimos em territórios simbólicos.

Produzido em parceria com a Frame Digital e a Tao Luz e Movimento, o curta investe em uma narrativa sensorial que observa o cotidiano com delicadeza documental. Entre silêncio e som, o filme propõe uma travessia afetiva que conecta gerações e reafirma o cinema como território de encontro, onde memória e futuro coexistem.

O filme marca o terceiro capítulo de uma trilogia idealizada por Vidigal. Os outros títulos são O Filho do Vizinho, de 2010, e Riscados pela Memória, de 2018. Cada obra se dedica a uma fase da vida e às questões que atravessam esse período.