Por Mayariane Castro
O documentário "Na Minha Terra, Carnaval é Religião", primeiro longa-metragem do cineasta brasileiro Rodrigo Resende Coutinho, será lançado em sessão especial no Cine Brasília nesta sexta-feira (6).
A programação tem início às 19h30, com apresentação do Batuque da Orquestra Alada Trovão da Mata, grupo ligado ao Seu Estrelo, e segue às 20h com a exibição do filme. Os ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).
O longa acompanha o crescimento, a organização e a regulamentação do carnaval de rua brasileiro em Lisboa, capital de Portugal, a partir da atuação de artistas e blocos formados majoritariamente por imigrantes brasileiros. Filmado entre 2024 e 2025, o documentário registra ensaios, reuniões, bastidores e cortejos de grupos como Baque do Tejo, Baque Mulher, Palhinha Maluca, Lisbloco e Pandeiro LX, que atuam na capital portuguesa.
Calendário oficial
A narrativa do filme se concentra em um período considerado decisivo para o carnaval de rua em Lisboa. Em 2025, a cidade passou a reconhecer oficialmente os desfiles como manifestação cultural, incorporando-os ao calendário oficial.
O processo de regulamentação e seus impactos para os grupos envolvidos são apresentados ao longo do documentário, a partir de depoimentos e registros do cotidiano dos blocos.
Além da estreia em Brasília, o documentário terá novas exibições em Portugal. No dia 6 de fevereiro, o filme será apresentado na Universidade do Porto. Já no dia 12 de fevereiro, será exibido no Bota - Base Organizada Toca das Artes, em Lisboa, integrando o calendário oficial do carnaval da cidade. Esta será a quarta exibição do filme na capital portuguesa.
Tradições brasileiras
O filme reúne relatos de músicos, regentes e integrantes de blocos que discutem a experiência de manter tradições culturais brasileiras fora do país de origem. Segundo dados do Itamaraty citados no documentário, cerca de 500 mil brasileiros vivem atualmente em Lisboa, contexto que contribuiu para a formação de mais de 20 grupos carnavalescos na cidade.
Ao longo do filme, os entrevistados relatam a relação entre o carnaval e a construção de vínculos comunitários entre os imigrantes, além das dificuldades enfrentadas para ocupar o espaço público. O documentário aborda questões como a ausência de regulamentação da arte de rua, exigências burocráticas e a relação dos blocos com o poder público antes do reconhecimento oficial.