Por: Mayariane Castro

A "Amarga" poesia de Maíra Valério lançada em livro

Maíra: a pressão do cotidiano se expressa na sua poesia | Foto: Thaís Mallon

A escritora e jornalista Maíra Valério lança, no dia 31 de janeiro, em Brasília, o livro de poesia “Amarga”.

O evento ocorre às 16h30, na Nova Livraria Circulares, localizada na 714/15 Norte, Bloco H, Loja 9. A atividade é gratuita e aberta ao público. A mediação do encontro será feita por Gabriel Pagliuso, livreiro da Circulares, editor da revista “Retangulina” e ex-mediador do Clube de Leitura do Círculo de Poemas em Brasília.

Publicada pela editora Orlando, a obra reúne poemas que abordam temas relacionados à experiência contemporânea, como solidão, relações de trabalho, afetos, vivências de trauma e a presença das redes sociais no cotidiano. “

Amarga” recebeu o Prêmio Tato Literário na categoria poesia e conta com texto de orelha assinado por Thaís Campolina, escritora e mediadora de leitura, pós-graduada em Escrita e Criação pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

O livro é organizado em cinco seções intituladas “remela”, “vazio em full HD”, “mordendo a cutícula”, “indigestão” e “trabalhar pra morrer”.

Ao longo dessas partes, os poemas apresentam imagens associadas ao espaço urbano e ao ambiente digital. Elementos como comida, coração, mãos e olhos aparecem de forma recorrente na construção dos textos. A epígrafe da obra traz um trecho de Hilda Hilst: “Só não existe amargura onde não existe o ser”.

Em declarações sobre o processo de escrita, Maíra Valério afirma que trabalhou com um eu lírico que expressa sensações de cansaço, ansiedade e desconforto diante de expectativas sociais relacionadas à felicidade e à exposição constante. Segundo a autora, a proposta do livro foi lidar com aspectos que não costumam ser valorizados em discursos públicos ou em representações idealizadas da vida cotidiana.

Brasília


Nascida e criada em Brasília, Maíra Valério aponta a capital federal como um elemento presente em sua formação pessoal e literária. Segundo ela, a cidade exerce influência direta sobre sua subjetividade, tanto por suas características urbanísticas quanto pelas formas de convivência social. Essa relação aparece nos poemas por meio de referências a deslocamentos, distâncias e rotinas associadas ao espaço urbano.

A maior parte dos textos de “Amarga” foi escrita a partir de 2022. De acordo com a autora, o processo ocorreu em diferentes momentos do dia, como intervalos de trabalho, períodos noturnos e deslocamentos em transporte público ou por aplicativo. Maíra Valério relata que o livro foi desenvolvido paralelamente a outras atividades profissionais e que a escrita acompanhou fases diversas de sua rotina.

Referências

Entre as referências literárias citadas pela autora estão Hilda Hilst, Cecilia Pavón e Adélia Prado. Além da literatura, Maíra Valério menciona influências vindas da música, especialmente de compositoras e bandas associadas ao punk feminista, da cultura de produção independente e dos quadrinhos. Esses elementos dialogam com a construção formal dos poemas e com a organização visual da obra.

A capa do livro foi ilustrada por Caio Gomez, ilustrador e quadrinista, que já havia colaborado com a autora no zine “Faz sol e chuva em Brasília”. O projeto gráfico integra a proposta editorial do livro e dialoga com o conteúdo textual apresentado ao longo das cinco seções.

Maíra Valério atua como jornalista e escritora, com produção voltada principalmente para a poesia. “Amarga” é seu lançamento mais recente e marca sua estreia pela editora Orlando. O evento de lançamento em Brasília inclui conversa com o público e sessão de autógrafos. Não é necessária inscrição prévia para participar.