Por: Por Isabel Dourado

Ministro da Fazenda: BRB é problema do GDF

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na noite desta segunda-feira (4) que os prejuízos financeiros sofridos pelo Banco Regional de Brasília (BRB) após operações com o banco Master de Daniel Vorcaro são um problema do Governo do Distrito Federal (GDF), não do governo federal. A declaração foi dada em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. O ministro classificou o caso como o "maior escândalo financeiro" e disse que a situação é bastante grave.

"O problema do BRB é um problema do GDF, eu não estou dizendo que a União em algum momento não pode entrar, mas é um problema do GDF, a gente não pode esquecer disso. O BRB fez algumas operações que estão nos jornais, que são operações que quebraram o banco. A responsabilidade é do GDF, gente, nós não podemos botar isso em questão", afirmou o ministro.

Durigan também disse que a responsabilidade "primordial" é da gestão do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. "A responsabilidade primordial é de quem acompanhou esse processo no Banco Central da autorização do banco Master até as últimas aprovações de banco que foi de 2019 a 2024 na gestão anterior." O BRB tem até o final de maio para divulgar o balanço consolidado de 2025, que deveria ter ocorrido até 31 de março.

"Risco sistêmico"

O ministro da Fazenda declarou que não é papel do Tesouro Nacional usar recursos públicos para salvar bancos e disse que só cogitaria essa hipótese se houver uma ameaça de contaminação de todo o sistema financeiro, caso o Banco Central análise desse modo.

"Se não tiver risco sistêmico, se for uma questão, um banco que está com dificuldade, existem os mecanismos para lidar com isso. E aí não tem que se falar em intervenção especial, ajuda do Tesouro, não tem que se falar nisso. A única hipótese em que eu cogitaria e de novo não estou dizendo que vou, é risco sistêmico, caso o Banco Central análise dessa forma."

O GDF formalizou na semana passada um ofício ao Tesouro Nacional para solicitar o pedido de garantia da União para o empréstimo de R$ 6,6 bilhões por meio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) com objetivo de reforçar o caixa do BRB. No entanto, o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Cardoso, sinalizou que o pedido de garantia da União deve ser rejeitado devido à baixa "capacidade de pagamento" do Distrito Federal. O DF foi rebaixado para a nota C na Capacidade de Pagamento (Capag).