O Governo do Distrito Federal mudou sua identidade visual e adotou um novo slogan, após sete anos. A marca anterior usava o ipê-amarelo e o slogan da gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), "É tempo de ação". Na nova versão o ipê passa a ser representado na cor roxa, acompanhado do slogan "Coragem para mudar". Propósito para cuidar". A mudança sinaliza uma atualização na comunicação da atual gestão do Palácio do Buriti, liderada pela governadora Celina Leão (PP). Os ipês, especialmente amarelos e brancos, são considerados árvores emblemáticas da capital e marcam a paisagem de Brasília.
A mudança foi questionada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Em ofício encaminhado na terça-feira (28), o Ministério solicitou que a Promotoria de Justiça Eleitoral do Distrito Federal analise a mudança na identidade visual e no slogan do governo que passou a ser implementada na segunda-feira (27). O principal questionamento levantado pelo MP é o fato da mudança ter sido feita em ano eleitoral.
Segundo João Vítor Cândido, especialista em comunicação e marketing político, a mudança indica uma tentativa de reposicionamento da governadora Celina Leão. Ele destaca que desde que assumiu o GDF, ela tem buscado ao máximo se desvincular da imagem do ex-governador Ibaneis Rocha.
"Celina precisa mostrar que não é apenas continuidade automática de Ibaneis, especialmente num momento em que a crise envolvendo BRB e banco Master passou a pressionar sua gestão logo no início. A troca visual ajuda a criar narrativa de comando, autonomia e sensibilidade própria, mas também carrega risco: se parecer personalização de governo em ano eleitoral, abre espaço para questionamento jurídico e desgaste público", explica ele.
Críticas
O pré-candidato ao governo do DF, Leandro Grass (PT), destinou uma série de criticas a governadora Celina Leão pela mudança na logomarca. Para ele, a alteração tem caráter "marqueteiro". Ele cobrou explicações do governo sobre a situação financeira do Banco de Brasília (BRB) que sofreu prejuízos após a realização de transações com o banco Master.
"Em meio a crises graves, a oposição tende a enquadrar a medida como "estratégia marqueteira". Isso pode fragilizar o governo se a comunicação não vier acompanhada de entregas concretas. Mudança de marca, sozinha, não resolve crise de reputação; ela só cria uma moldura simbólica. Se Celina conseguir associar a nova identidade a decisões efetivas, pode fortalecer sua liderança. Se ficar restrita à estética, pode reforçar a crítica de que o governo está trocando embalagem enquanto os problemas seguem sem resposta", ressaltou Cândido.