Por: Por Isabel Dourado

Acionistas decidem capitalização do BRB

O Banco de Brasília (BRB) convocou seus acionistas para participarem de uma série de assembleias consideradas decisivas para tentar "salvar" a instituição. A principal reunião ocorre nesta quarta-feira (22), às 10h, e será em formato digital. Essa Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de acionistas vai servir para aprovar o aumento de capital da instituição. Os acionistas também devem homologar nomes para o Conselho de Administração, em uma tentativa de passar uma maior segurança ao mercado.

A medida é necessária para reforçar o patrimônio e reequilibrar o balanço do banco controlado pelo governo do Distrito Federal (GDF), após os prejuízos financeiros devido à compra das controversas carteiras de crédito do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo o BRB, a reunião também será fundamental para debater o tamanho do rombo causado pelas negociações com o Master. A Assembleia Geral acontece em um momento em que o BRB busca se reposicionar institucionalmente e responder às pressões do mercado.

No início deste mês, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e o presidente do BRB, Nelson Antônio de Sousa, participaram em São Paulo de uma reunião com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para debater a situação do BRB.

Como desdobramento da mobilização, um investidor formalizou a proposta de adquirir até R$15 bilhões em carteiras do Mater compradas pelo BRB. Na segunda-feira (20), o banco informou, em fato relevante, a assinatura de um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para a criação de um fundo voltado à transferência desses ativos.

Segundo o BRB, a operação pode chegar a R$15 bilhões. Apesar do comunicado, não foi detalhado quais ativos serão vendidos, já que as carteiras do banco Master não têm lastro. Celina comentou, nesta terça-feira (21), durante cumprimento de uma agenda em Brasília, sobre o tema. "A gente acredita que há possibilidade de recuperação de uma grande parcela daquilo que estava como algo que havia sido perdido. Recuperar esses recursos para que a gente possa realmente tirar essa situação do banco é muito importante para nós."

Desde que assumiu o GDF, a governadora tem adotado uma postura diferente em relação à crise do BRB. Ela tem enfatizado que pretende resolver a situação o quanto antes e negou a possibilidade de privatização ou do banco quebrar. O mercado e o Banco Central aguardam a divulgação do balanço contábil de 2025 do BRB que deveria ter sido entregue até o dia 31 de março, mas foi adiada na noite do mesmo dia.