Por: Por Isabel Dourado

Réu apontado como mentor diz que foi coagido

A Justiça do Distrito Federal ouviu nesta quarta-feira (15), no Fórum de Planaltina, os cinco réus acusados de assassinarem dez pessoas da mesma família. O interrogatório começou de manhã com o depoimento do réu Gideon Batista de Menezes, 58 anos, apontado como o mentor da maior chacina do DF. Os outros quatro acusados são: Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva.

Os promotores do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) Nathan Neto e Daniel Bernoulli definiram o crime como "singular" e "complexo". "Este é o tipo de crime que não se pode punir, porque não existe uma pena suficiente para responder à grandeza deste mal", afirmou o promotor Neto.

O réu Gideon respondeu a todas os questionamentos feitos pelo juiz. Ele negou ter participado da chacina e imputou a Thiago Belchior, uma das vítimas, a responsabilidade pelo planejamento do crime. Gideon também indicou os réus Fabrício Silva e Carlomam dos Santos como executores dos sequestros e dos assassinatos dos dez integrantes da família. Durante o depoimento no Tribunal, Gideon Menezes, ligou a participação nos homicídios a uma suposta ameaça feita pelo réu Carlomam e pela vítima Thiago Belchior. "Até hoje me sinto mal por isso", afirmou o réu, em referência ao crime.

O réu também especificou que foi coagido a esquartejar Marcos Oliveira, sequestrar outras vítimas e enterrar os corpos. Segundo o depoimento, ele passou a temer pela própria vida.

Tortura

O réu declarou que teve que assumir a autoria dos crimes e que após ser preso, foi agredido durante o trajeto até a delegacia. Já o réu Horácio Carlos permaneceu em silêncio ao ser interrogado no Tribunal do Júri. O terceiro réu ouvido foi Fabrício Silva que contrariou toda versão apresentada por Gideon. Fabrício declarou que Gideon e Horácio comandaram todo o plano e os outros acusados apenas recebiam ordens diretas.

Investigação

A investigação do MP evidenciou que os crimes foram praticados pelo grupo ocorreram entre outubro de 2022 e janeiro de 2023 para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, que estava sob a posse de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. Segundo informações da Polícia Civil do DF, a chácara estava avaliada em R$2 milhões.

Somadas as penas podem variar entre 211 a 385 anos de prisão, conforme o Código de Processo Penal, caso os réus sejam condenados. Diante do número de vítimas e do envolvimento dos cinco réus, o julgamento deve prosseguir até o dia 19.